Você é feliz?



 

 Essa é uma pergunta que estamos sempre nos fazendo. Pensamos por instantes e, comumente, ficamos sem a resposta. Será que eu sou feliz?

Mas afinal, o que é felicidade?

Em seu livro “Felicidade”, o economista Eduardo Gianetti, afirma que felicidade não pode ser comprada. E que o ditado “dinheiro não traz felicidade” tem razão de ser. Pelo menos em parte, porque sem as mínimas condições de sobrevivência não há quem consiga ser feliz. Portanto, condições materiais são essenciais até a medida que nos trazem segurança e conforto básico, como ter uma casa, educação de qualidade, boa alimentação e saúde equilibrada, por exemplo. Mais do que isso, acreditem, o dinheiro não vai ajudar em seu bem estar.

Assim, aquela lancha maravilhosa que você viu no comercial de TV, poderá trazer prazer momentâneo, mas a impossibilidade de adquiri-la não, não irá deixar você mais ou menos feliz. Para acreditar nisso é só você pensar na trabalheira e a dor de cabeça que deve dar a sua manutenção.

Recentemente, o Instituto Akatu, uma ONG de fomento à práticas de preservação ambiental e sustentabilidade, publicou os resultados de sua pesquisa, “Rumo à Sociedade do Bem-Estar: Assimilação e Perspectivas do Consumo Consciente no Brasil – Percepção da Responsabilidade Social Empresarial pelo Consumidor Brasileiro”, onde conclui que “mais bem informado, o consumidor brasileiro valoriza mais a sustentabilidade que o consumo” e que, “o conceito de felicidade esta relacionado à preferência pelos caminhos mais sustentáveis”




A pesquisa mostrou que o “ditado popular” está certo, ou seja, apenas três em cada dez entrevistados apontaram a tranquilidade financeira como condição inerente à felicidade. Dois terços dos entrevistados referiu estar saudável e/ou ter uma família saudável, condição essencial para estar feliz. A maioria respondeu que conviver bem com a família e com os amigos os aproximava da felicidade. O estudo mostrou, também, que boa parte da população brasileira, mesmo não o fazendo de forma tão consciente, tem a noção de que, uma vez satisfeitas suas necessidades básicas, a busca da felicidade implica em tomar o caminho da sustentabilidade e não do consumismo.

Há séculos, Sócrates (foto), um filósofo grego, durante uma caminhada numa feira, perguntado se estaria fazendo compras, respondeu, “não, apenas observando quanta coisa é desnecessária para a minha felicidade”.

O atual momento por que passa nossa civilização exige que façamos mais “passeios socráticos”. Estamos no topo da cadeia de produção e consumo. O movimento agora é inverso. Fomentar práticas de sustentabilidade do planeta, preservar os recursos naturais e valorizar a vida, como já sabemos e fazemos. Viver mais com a família e com os amigos, e ser feliz.

Quanta saudade de Oswaldo Cruz!

O mosquito é um inseto minúsculo, quase imperceptível e de existência fugaz. Pernilongo, borrachudo, muriçoca e fincão são denominações populares para esse ser vivo que nos acompanha desde os tempos de colônia. Existindo há mais de trinta milhões de anos, possuem uma verdadeira bateria de sensores projetados para rastrear suas presas. Sensores químicos, visuais e temperatura, de fazerem inveja às mais modernas máquinas voadoras de destruição.


O Brasil, país com clima tropical e subtropical, quente e úmido, com presença de calor e chuva em boa parte do ano, oferece excelentes condições para o desenvolvimento deste inseto, especialmente, da espécie Aedes Aegypti, transmissor da febre amarela e da dengue. Esta última que, segundo os pesquisadores, chegou por aqui no século XVII, em navios que vinham da África.

Data desta época os primeiros casos de febre amarela que, rapidamente, invadiram o Rio de Janeiro. No século seguinte, a cidade é atingida por um grande surto que acomete quase 10 mil pessoas. As autoridades de então acreditavam que a doença era transmitida por eflúvios miasmáticos, o que justificava a construção de casas com pé direito alto, a existência de sótãos e porões com a finalidade de facilitar a passagem do ar. Somente no início do século XIX creditou-se ao mosquito a responsabilidade pela transmissão destas doenças.

Neste cenário, surge a figura do médico sanitarista Oswaldo Cruz, apoiado pelo presidente do páis naquela época, Rodrigues Alves, que perdera um filho para doença. O apoio foi fundamental para que o médico dividisse a cidade do Rio de Janeiro em distritos e organizasse as chamadas “brigadas mata-mosquito”. As equipes visitavam todas as casas, identificavam (e isolavam) os infectados pela febre amarela e interditavam estas residências, para que fosse aplicado veneno para extinguir o mosquito. As medidas de Oswaldo Cruz tiveram características de uma verdadeira campanha militar, pois a imposição de normas de higiene e vigilância sobre a cidade e os hábitos da população, caracterizavam práticas autoritárias.

Hoje os tempos são outros. Não é a febre amarela que nos assola, mas é o mesmo mosquito. Agora, transmite outra doença viral: a dengue. Nossos mata-mosquitos atuais são os agentes da dengue e as campanhas autoritárias de então, se transformaram em comunicações educativas, tentando esclarecer como se desenvolve o mosquito e quais são as características da doença. Evoluímos no conhecimento médico científico, conhecemos todas as fases da vida do inseto, mas, tal qual no século passado, a população continua achando que o problema é de responsabilidade apenas das autoridades sanitárias. Assim, temos a informação, mas não o conhecimento, que determina atitude e mobilização.

Nossos amigos, parentes e vizinhos estão ficando doentes e continuamos observando. As autoridades distribuem folhetos, rádios e televisões “berram”, diariamente, sobre a necessidade de destruirmos os criadouros do mosquito, os agentes visitam casas, mas os resultados se mantêm desanimadores. A epidemia cresce.

Então, o que esta faltando?

Oswaldo Cruz (foto) nos mostrou, há 100 anos, que só com a mobilização de todas as forças sociais poderemos vencer esta batalha. Parece que nada aprendemos. Não podemos prescindir da autoridade pública que deve, obrigatoriamente, incitar todas as forças sociais, instituições públicas, civis, militares e religiosas a formar uma nova brigada. Devemos mapear as regiões e as atividades de risco, impor severo saneamento de modo a bloquearmos o crescimento do mosquito e o desenvolvimento da doença. Distribuir folheto é importante, mas ainda é pouco. A Cidade tem que ser saneada, tal qual no século passado. Clamamos por ações mais enérgicas.

A palestra que ministrei na Petrobras


Preocupe-se menos. Viva mais.

Este foi o tema de minha palestra para os gerentes e diretores da Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC). A iniciativa fez parte das ações da Petrobras para comemorar o Dia Mundial da Saúde, em 7 de abril.

Na apresentação, levei dicas de como tomar cuidados para evitar o estresse e não sofrer com seus malefícios. Além de sanitarista, sou, também, especialista em Medicina do Trabalho. 

Os dias atuais obrigam os profissionais a "matar um leão por dia" e esta pressão ininterrupta pode desencadear diversos problemas aos trabalhadores, entre eles a Síndrome de Burnout, que traz consigo o esgotamento profissional.


Abordei as mudanças no ambiente empresarial, explicando como afetam o dia-a-dia dos trabalhadores e contribuem com a perda de qualidade de vida. Passamos de uma época pré-industrial, onde o trabalho era uma forma de subsistência, e estamos na era pós industrial, com os trabalhadores voltados mais às atividades intelectuais e menos braçais.

Neste sentido, apresentei a teoria do Ócio Criativo, formulada pelo sociólogo italiano Domenico de Masi. A teoria explica que temos mais tempo agora do que tinhamos antes, muito em função do aumento da expectativa de vida e da sofisticação dos processos profissionais. Com este período adicional, as pessoas estão mais participativas em assuntos de interesse geral, ocasionando evolução em diversos aspectos.



Ao final do evento, tive o prazer de autografar meu último livro, "Sala de Espera, Crônicas de um Médico".


Domenico De Masi


A Baixada Santista está na rede!

Seja mais um na rede!

Está sendo criado um novo instrumento político para defender a sustentabilidade e aprofundar a democracia no Brasil.


Assim nasceu a Rede Sustentabilidade, projeto capitaneado por Marina Silva, uma alternativa aos partidos políticos hoje existentes, que vivem exclusivamente da disputa pelo poder.

O objetivo é organizar este movimento político também na Baixada Santista. Para isso, contamos com a sua participação!

O primeiro encontro acontecerá no sábado, dia 6 de abril, em Santos. Todos os interessandos em integrarem esta nova política estão convidados.

Horário: 10h.
Local: Rua Arabutan, 47, Aparecida (próximo ao Brasil Futebol Clube), em Santos.


Ver mapa maior

Artigo publicado em A Tribuna

Compartilho o artigo de minha autoria publicado na edição de hoje do jornal A Tribuna. O texto fala sobre o desafio do Sistema Único de Saúde brasileiro.

Convido você, leitor, a participar desta discussão sobre o serviço público brasileiro de saúde.

Confira o material na íntegra:

Napoleão sabia tudo!!!


             Napoleão sabia tudo!!!

Grande político e estrategista militar, Napoleão classificava seus soldados em quatro tipos:

1. Os inteligentes com iniciativa;
2. Os inteligentes sem iniciativa;
3. Os ignorantes sem iniciativa;
4. Os ignorantes com iniciativa.
Aos inteligentes com iniciativa, Napoleão dava as funções de comandantes gerais, estrategistas. Os inteligentes sem iniciativa ficavam como oficiais que recebiam ordens superiores e as cumpriam com afinco. Os ignorantes sem iniciativa eram colocados à frente da batalha, como buchas de canhão. E os ignorantes com iniciativa, Napoleão os odiava e os desprezava.
Essa grande sabedoria de Napoleão serve também para a nossas vidas. Será que também não temos em nosso "exército napoleônico", que são as pessoas que convivem conosco, esses três tipos de "soldados"? E não serão todos necessários?
Pense bem. Um exército só de generais estrategistas por certo não vencerá batalha alguma. Alguém tem que estar no front. Obedientes oficiais sem estratégia também não vencem uma guerra. Soldados dedicados, sem comando, sem chefia, sem direcionamento, também não trazem sucesso à batalha. Portanto, precisamos dos três tipos de soldados para vencer uma batalha, assim como dos três tipos de colaboradores para que possamos vencer os desafios do mundo competitivo em que vivemos.
Mas, assim como Napoleão, devemos nos livrar, o mais rapidamente possível, dos ignorantes com iniciativa. Esses são perigosos! Um ignorante com iniciativa é capaz de fazer besteiras enormes. Um ignorante com iniciativa faz o que não deve, fala o que não deve e até ouve o que não deve. Um ignorante com iniciativa nos faz perder bons clientes, bons amigos e destroem qualquer relacionamento. São os ignorantes com iniciativa que fazem produtos sem qualidade porque resolvem alterar processos definidos. Um ignorante com iniciativa é, portanto, um grande risco. Não precisamos dele. Nem Napoleão os queria.

E em sua vida? Você identifica os quatro tipos de soldados de Napoleão? E o que faz com cada tipo? Você tem sabido se livrar dos ignorantes com iniciativa? Esses são os mais difíceis, e, talvez, os que mais estão disponíveis !!

Conheça os Mitos e Verdades sobre o açúcar


Existem muitos mitos e verdades sobre o consumo do açúcar – um carboidrato encontrado naturalmente em todas as frutas ou vegetais, com sabor adocicado. O consumo balanceado do açúcar, combinado com a prática de atividades físicas, é fundamental para manter uma vida saudável e prevenir doenças.
Confira os mitos e verdades apontados pela nutricionista do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde, Lorena Melo.
O alto consumo de açúcar resulta em consequências na saúde.
Verdade. Uma alimentação com alto consumo de açúcar simples (sacarose) está associada ao excesso de peso e obesidade. Também há relação com o aparecimento das cáries dentárias entre crianças, especialmente quando bebidas doces e guloseimas de consistência pastosa são consumidas.
O açúcar simples (industrializado) apresenta um risco maior.
Verdade. O açúcar é dividido em dois tipos: o livre e o simples. As frutas e alguns vegetais contém açúcar livre, do tipo frutose, que se apresenta como parte dos alimentos. Essa forma natural não deve ter consumo reduzido.
Já o açúcar simples é usado principalmente em produtos industrializados e deve ter o seu consumo limitado a uma porção por dia, que equivale a uma colher de sopa, segundo recomendação do Ministério da Saúde.
Há um limite recomendado de consumo diário de açúcar.
Verdade. O Guia Alimentar para População Brasileira recomenda o consumo máximo de uma porção de alimentos do grupo dos açúcares e doces ao dia, correspondendo a uma colher de sopa, que equivale a 110 Kcal. O consumo de açúcares simples não deve ultrapassar 10% da energia total diária.
Existe um horário mais adequado para o consumo do açúcar.
Mito. Não há recomendação, segundo Ministério da Saúde, de um melhor horário para o consumo de doces.
É verdade que os doces ingeridos pela manhã contribuem para o emagrecimento.
Mito. Não há comprovações científicas de que doce pela manhã ajuda no emagrecimento.
A ingestão excessiva pode causar o diabetes.Mito. Embora a alimentação com alto teor de açúcar simples / sacarose aumente a quantidade de glicose sanguinea, ela não é causa direta do diabetes.
O consumo do açúcar por meio dos doces realmente é capaz de levantar o astral.Verdade. Há comprovações científicas que o consumo do açúcar, e também de outros alimentos, influenciam o humor do indivíduo. Porém, o consumo desses alimentos não deve ultrapassar o limite diário de uma porção por dia, que é o recomendado pelo Ministério da Saúde.
O açúcar tem a fama de vilão.
Verdade. O aumento da disponibilidade e do consumo de açúcar, diretamente ou incorporado aos alimentos industrializados, tem efeitos prejudiciais à saúde, estando relacionado ao aumento na incidência do excesso de peso e da obesidade e das doenças crônicas não transmissíveis.
É indicado substituir o açúcar pelo adoçante.
Verdade. Em caso de diabetes ou de excesso de peso / obesidade é indicado a substituição do açúcar simples pelo adoçante natural.
Existem outros alimentos que podem ser trocados para reduzir o consumo.
Verdade. Os açúcares são fontes de energia e podem ser encontrados naturalmente nos alimentos, como frutas e mel, podendo esses substituir o açúcar livre.
Portanto, recomenda-se fazer a substituição de alimentos industrializados ou preparações adicionadas de açúcar por alimentos naturais.
Diabetes - O diabetes não é causado pela ingestão de açúcar. Ele tem relação com o excesso de peso, que em parte está relacionado ao consumo de alimentos não saudáveis, especialmente aqueles ricos em açúcares.
A coordenadora- geral das Áreas Técnicas do Departamento de Atenção Básica, Patricia Sampaio Chueiri, explica que o Ministério da Saúde promove ações de prevenção e incentiva dois pontos importantes: a alimentação saudável e a prática de atividades físicas. “Em relação às praticas de exercícios físicos, o Ministério da Saúde conta com os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) que compõem em sua equipe profissionais que trabalha com a questão dos exercícios, como educadores físicos e fisioterapeutas. A Academia da Saúde também é um programa que incentiva a criação de espaços adequados para a prática de atividade física e aumenta o acesso da população”, afirma Patrícia.
Outra ação importante do Ministério da Saúde é o Programa Saúde na Escola, que orienta as crianças da rede pública de ensino a se prevenir do diabetes por meio da prática de uma alimentação saudável.
 


 
Sobre a Vírgula

Muito bonita a campanha dos 100 anos da ABI
(Associação Brasileira de Imprensa).
Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere..

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

IMPORTANTE, UMA VÍRGULA
OU MELHOR,,,,IMPORTANTE UMA VÍRGULA

Detalhes Adicionais:
COLOQUE UMA VÍRGULA NA SEGUINTE FRASE:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.
 


* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...

* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM...
 
 
 

A violência como princípio da sobrevivência


Há alguns milhares de anos, o Homo sapiens aprendia a manusear os instrumentos e a fazer deles a extensão de seu corpo. Ao migrar da África para a Europa, desenvolveu boa parte da cultura que acumula hoje, até por conta das temperaturas mais baixas no continente europeu. Fazendo pinça com o polegar e o indicador, criava um dos grandes diferenciais em relação às outras espécies animais.

Naqueles tempos rudes, o prazer cedia lugar à luta pela sobrevivência. Com sobrevida média de 35 anos, eram os tempos da caverna, da descoberta do fogo, onde sobrevivia sempre quem era mais forte. Nossos ancestrais nômades vagavam em busca de alimento. Inicialmente herbívoros, eram carnívoros eventuais, pois não detinham a cultura de domar o animal selvagem, aproveitando-se, assim, dos restos abatidos por seus predadores naturais. E pensar que hoje nos sentimos superiores!

A espécie humana evoluiu bastante. Adquiriu novos conhecimentos, migrou para o frio, onde se viu obrigada a adquirir meios para sobrevivência em meio inóspito. O frio, a escassez de alimentos e a ausência de proteção foram substratos essenciais para chegarmos a ser o que somos. Alimentávamo-nos para sobreviver, não existia prazer e aqueles que necessitavam de menor quantidade de comida, os obesos, em momentos de escassez alimentar extrema eram os que sobreviviam. Sim, os obesos detinham mais capacidade de sobreviver durante as intempéries, pois necessitavam de menor quantidade de calorias para a sua existência. Mas não eram gordos, porque comiam estritamente o necessário.

Aprendemos a domesticar os animais e a cultivar as plantas. Isso nos fixou ao solo, buscando proteção para aguardar o crescimento do animal e do vegetal. O excedente era desprezado, até que se constatou que outros agrupamentos humanos desprezavam, também, os alimentos excedentes. Daí surgiu a troca, que evoluiu para o comércio, que evoluiu para o marketing, que evoluiu tanto, tanto, até que o obeso engordou.

Hoje vivemos o auge do conhecimento tecnológico e isso permite conforto nunca vivenciado durante toda a evolução de nossa espécie. Nunca antes neste planeta, vivemos período de tanta oferta de alimentos! Mas continuamos brigando, agora não mais pela sobrevivência, mas por motivos vis: no trânsito, na escola, por causa de conta do restaurante, por divergir de uma nota dada pela professora. Industrializamos nosso alimento, comemos por prazer e o obeso que, em boa medida, garantiu a preservação da espécie, hoje morre mais cedo, pois associou a vida sedentária e os prazeres da gula ao seu cardápio.

Diante disso, quando vamos deixar de nos achar superiores?

Plano de saúde ou de doença?


Incrível como, não raro, confundimos alguns contraditórios. Saúde é oposto de doença e a Organização Mundial de Saúde (OMS) define muito bem isso. Diz a entidade, há muito tempo, que saúde é o completo bem-estar de um indivíduo, desde o ponto de vista físico até o psíquico e social. Não é simplesmente a ausência de doenças.

Se o seu vizinho, ao encontrá-lo no elevador, pergunta sobre sua saúde, você responde que está gripado, com pressão alta ou anda estressado e sem dormir. Nossa atenção está voltada, sempre, à doença! Por isso, os planos que se intitulam “de saúde” deveriam se autodenominar planos de doença, pois ao pagá-los mensalmente, temos a intenção de financiar o tratamento de uma doença e não pensando em garantir a nossa saúde. Os gestores destas empresas, tampouco.

Sabem por que pensamos no contrário? Primeiro, por temermos a morte e pretendermos - quanta ilusão - ter o completo controle sobre nossa vida. Segundo, porque doença dá lucro! Poucos casos são diferentes, como por exemplo, quando a preservação da saúde exige a utilização de medicamentos e, concomitantemente, geração de gastos.

Sabemos que o Homo Sapiens existe há 300 mil anos e possuem grandes diferenças dos demais seres vivos, como a consciência de sua existência. Tais características permitiram que adquiríssemos a habilidade de criarmos instrumentos e, assim, potencializar nossas possibilidades de melhor qualidade de vida. Caminhávamos em busca de alimentos e criávamos instrumentos de caça, pesca e de defesa. Nosso organismo, ao longo dos milhares de anos, foi se preparando e especializando para realizar as tarefas mais complexas, até chegarmos à era digital. Evoluímos tanto, que surgiram as doenças nervosas, a obesidade e outras moléstias crônico-degenerativas, como a hipertensão arterial, o diabetes, as artrites, e os cânceres, etc.

As pessoas estão tão envolvidas em suas rotinas, que se esquecem de cuidar do mais precioso bem que possuem: a saúde. Outro dia, ouvi de uma pessoa que a impossibilidade de fazer exercícios físicos se devia à falta de dinheiro para matricular-se em uma academia. Ah, se nossos ancestrais Neandertais ouvissem isso!

Vivemos em uma região propicia para a realização de atividades físicas ao ar livre. Temos muitos quilômetros de orla, com espaços e paisagens perfeitos para a prática desportiva. Quem não gosta de pedestrianismo, pode jogar futebol com os amigos, frescobol à beira-mar ou caminhar nos calçadões. Em Santos, mais da metade da população possui um plano de saúde particular. A outra parcela da população se utiliza do sistema público de saúde, o SUS. E fica a pergunta: o que esses planos fazem para manter seus clientes com boas condições de saúde?

Que tal, um plano de saúde que contribua com nossa saúde? Um serviço que nos ajude do ponto de vista social e psíquico, a sermos mais alegres, mais amigáveis com nossos vizinhos. Que nos faça caminhar na praia, ir ao cinema, namorarmos mais e sermos mais felizes. Funcionaria assim: pagamos uma quantia por mês, e teríamos direito a dez passeios de bicicleta, dois ingressos para o cinema, uma festa no bairro. Para esse plano de saúde, como médico, faria propaganda de graça na televisão.

O SUS que pouca gente conhece


O Sistema Único de Saúde (SUS) nasceu na década de 80, fruto da reivindicação da sociedade civil, por meio de movimentos pela reforma sanitária, e foi institucionalizado pela Constituição de 1988. O SUS tem como premissa básica integrar e coordenar ações de saúde nas três esferas do governo: Federal, Estadual e Municipal. O objetivo é “articular e coordenar ações promocionais e de prevenção, como as de cura e reabilitação”.

São três os princípios doutrinários que conferem legitimidade ao SUS: a universalidade, a integralidade e a equidade. A universalidade está ligada à garantia do direito à saúde por todos os cidadãos brasileiros. Tal conceito parte da ideia de que existem várias dimensões integradas envolvendo a saúde dos indivíduos e das coletividades. Como princípio complementar ao da universalidade, significa tratar as diferenças em busca da igualdade. Este princípio veio ao encontro da questão do acesso aos serviços, muitas vezes prejudicado por conta da desigualdade social. Fala-se em prioridade no às ações e serviços de saúde por grupos sociais considerados mais vulneráveis, do ponto de vista socioeconômico.

A concepção de um sistema universal de saúde e a institucionalização por meio da Constituição foram um dos maiores avanços na luta pela construção do país que tanto queremos: mais justo e menos desigual. Se ainda existem problemas no atendimento público da saúde, e não são poucos, é inegável o fato de que o SUS contribuiu demasiadamente para o fortalecimento da cidadania nacional, afinal o direito ao acesso aos serviços de saúde é um importantíssimo direito social.

Pouca gente sabe, mas temos no país o maior sistema de saúde pública do mundo! Devemos nos orgulhar desta posição. O brasileiro é um dos poucos povos no planeta que pode dizer que saúde é considerada um direito constitucional em seu país.

Possuímos, atualmente, um dos maiores programas públicos de transplantes de órgãos e tecidos do mundo. São 548 estabelecimentos de saúde e 1.376 equipes médicas autorizadas a realizar transplantes de qualquer tipo. No primeiro semestre de 2012, foram realizados 3.550 transplantes de órgãos e 3.265 de tecidos, 26,5% a mais do que o mesmo período no ano anterior.

Outro dado interessante é que foram realizadas 65,4 mil cirurgias cardíacas, no ano de 2009. O Brasil é o segundo país em número de cirurgias cardíacas no mundo, com a grande maioria realizada pelo SUS.

Igualmente, o Ministério da Saúde oferece tratamento gratuito e universal aos portadores do vírus causador de hepatite C. São distribuídos medicamentos de alto custo, além de completo atendimento ambulatorial e hospitalar. O mesmo acontece com portadores do vírus HIV. Desenvolvemos, em nosso País, o maior programa mundial de combate, prevenção e tratamento da AIDS, transformando-nos em modelo para inúmeras outras nações. Este projeto, por sinal, se iniciou aqui em Santos com o inesquecível médico David Capistrano Filho.

O Brasil é um país com dimensões continentais, portanto deve destinar esforços com esta mesma proporção para cuidar da saúde de seus cidadãos. Consolidar essas ações, garantir atendimento básico e de urgência com qualidade deve, neste momento, ser a prioridade de todos os gestores da saúde pública brasileira.

Por isso, clamamos aos novos secretários municipais de saúde: contamos com vocês!

O Carnaval está chegando. Dicas para cair na folia com tranquilidade

A maior festa popular do Brasil começa no final de semana. A chegada do tão aguardado Carnaval é motivo de alegria entre os brasileiros, apaixonados pelo clima que se instaura de Norte a Sul do nosso país.

Como em todos os anos, os serviços públicos de saúde lançam campanhas para conscientizar sobre os perigos de determinados comportamentos de risco e orientar os foliões a tomarem alguns cuidados para cair na folia com total segurança.

O principal “vilão” da festa continua a ser o vírus HIV, transmissor da AIDS. Diversas campanhas de prevenção foram lançadas com o objetivo de esclarecer a importância da utilização da camisinha nas relações sexuais. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal, por exemplo, recorreu ao slogan “Ressaca tem cura, Aids não. Sexo só com camisinha”. Cabe lembrar que relações sexuais com preservativo são grandes armas na prevenção contra outras doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis e hepatite.

Pouca gente se atenta, mas a precaução com a saúde nesta época do ano pede, também, atenção com a alimentação. Combinações entre alimentos gordurosos e álcool podem sobrecarregar o fígado. Por isso, consumir frutas, sempre hidratar-se e preferir alimentos leves é uma ótima receita para curtir o Carnaval e cuidar da saúde ao mesmo tempo.

Uma dica é conferir a campanha “Meu Prato Saudável”, realizada pelo Hospital das Clínicas da FMUSP em conjunto com o Instituto do Coração (InCor). O site www.meupratosaudavel.com.br é ótima fonte de informações sobre como alcançar o equilíbrio alimentar durante o Carnaval.

Com todos estes cuidados tomados, é esquentar os tamborins, caprichar na fantasia e sair para a festa!

Bom Carnaval a todos!

Liberdade, abra as asas sobre nós!


Assim cantou a escola de samba Imperatriz Leopoldinense no carnaval carioca de 1989: “Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós. E a que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz”. Os autores desfilavam, em poesia, o sentimento popular contra a fidalguia do Império, contra a guerra, a escravidão e a esperança pela conquista da igualdade de oportunidades.

Tal qual a poesia popular, Aristóteles, o filósofo grego, afirmava que “é livre aquele que tem em si mesmo o princípio para agir ou não agir, isto é, aquele que é causa interna de sua ação ou da decisão de não agir”. O que nos faz pensar se realmente estiveram livres os negros após a abolição da escravatura.

O economista indiano Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1998, explica que só existe liberdade plena com desenvolvimento e eliminação das privações que limitam escolhas e oportunidades. Entre essas privações de liberdade estão: pobreza, carência de oportunidades econômicas, negligência de serviços públicos e intolerância.

Ainda segundo Aristóteles, a riqueza não é um bem em si, mas um meio para conseguirmos mais liberdade e sua utilidade está nas coisas que ela nos permite fazer, conceito chamado pelo economista Sen de liberdades substantivas.

Sentir-se livre, portanto, dentro de um conceito filosófico, é ter a sensação da liberdade de poder agir. Mas para tanto, é preciso ter meios para provocar a ação. Sem o que, esta se tornaria inócua. De que vale o direito de ir e vir, garantido pela Constituição Federal, se não temos para onde ir? De que vale ter o direito à vida, sem acesso a sistemas de saúde eficazes, privado de educação de qualidade e sem moradia digna?

Santos diz em sua bandeira, que é a terra da caridade e da liberdade. Mas na prática, a teoria é outra, como dizia o célebre Joelmir Beting. Estudantes do curso de Economia da Universidade Católica de Santos, Andressa Riechelmenn e Daniel Carvalho publicaram o trabalho “Sobre a liberdade em Santos”, baseado no conceito de liberdade substantiva. A conclusão dos estudantes é que somente 29% dos santistas, pertencentes às classes mais ricas, vivem em liberdade plena. A pesquisa teve como base os dados aferidos pelo Censo de 2010 do IBGE.

Liberdade, igualdade e fraternidade, princípios da Revolução Francesa em 1789, marca a luta pelos direitos dos homens, luta pela vida digna. Um princípio ainda distante de 71% de nossa população. Uma luta ainda presente como nossa bandeira, que precisa permanentemente ser desfraldada.