CAMPANHA DA LEGALIDADE: HÁ 58 ANOS LEONEL BRIZOLA BARRAVA O PRIMEIRO GOLPE CONTRA JANGO

CAMPANHA DA LEGALIDADE: HÁ 58 ANOS LEONEL BRIZOLA BARRAVA O PRIMEIRO GOLPE CONTRA JANGO

Logo após a renúncia de Jânio Quadros, os militares tentaram tomar o poder. Mas Brizola conseguiu impedir. Confira o vídeo de seu discurso

Em 25 de agosto de 1961, o presidente da República Jânio Quadros renunciou ao mandato, por motivos que até hoje não se sabe ao certo. O vice-presidente eleito, João Goulart, do PTB, era quem, constitucionalmente, deveria assumir. Porém, aquele mês seria muito mais conturbado.
O motivo era que os militares não queriam que Jango assumisse o cargo. O exército não aceitou que Jango pudesse governar o Brasil, pois afirmavam que ele estava associado demais à forças populares e de esquerda, a ponto de acusá-lo de comunista.
No momento da renúnica de Jânio, Jango voltava de uma viagem diplomática na China, país comunista cujas relações com o Brasil os políticos tentavam reatar. Diante desse cenário, o Exército define que seria absurda a posse de Goulart.
Por isso, uma junta militar foi ao Congresso Nacional pressionar os deputados para tentar assumir o Poder, a partir de suas ligações com as cabeças das duas casas, Ranieri Mazzilli e Auro de Moura Andrade. Pouco antes de Jango sair da China, é anunciada a primeira tentativa de golpe. Jango foi então instruido a voltar pela rota do Pacífico e entrar no Brasil pelo Rio Grande do Sul, onde tinha apoio popular do então governador, Leonel Brizola.
É justamente essa a figura central deste momento.  Com Jango no exterior, Brizola era o maior quadro do PTB no Brasil. E sendo ele muito mais radical que Jango, sua posição era clara: aquele golpe ia ser barrado, custe o que custasse.
Então, Brizola desceu até os porões do Palácio do Piratiní, sede do governo gaúcho, onde montou e ligou o sistema de rádios. No rádio, foi anunciado e começou a discursar para o povo brasileiro, convocando os batalhões do exército e o povo às ruas para barrar o golpe. Declararam a Campanha da Rede da Legalidade, dedicada a assegurar, por política ou à força, a posse de João Goulart, como previsto em Lei.
Entre as questões abordadas pela Campanha da Legalidade está o fato de que, conseguindo apoio de diversos generais, do Exército do Rio Grande do Sul, dos trabalhadores de São Paulo e setores goianos, Brizola dispôs à população todo o armamento disponível.
Transformou também o palácio em uma barricada e convocou, no caso de mantimento do golpe, uma greve geral. Brizola fechou as escolas de Porto Alegre, mandou as crianças para junto dos pais e abonou qualquer falta dos trabalhadores do setor público.
A ala golpista do Exército brasileiro ameaçou bombardear o Palácio do Piratiní com o governador dentro, mas Brizola não largou mão. Quando Jango chegou no Brasil, discutiu muito com Brizola, pois, Jango queria encontrar uma solução conciliatória para assumir e tentar passar reformas de esquerda. Já Brizola não queria abrir espaço para o aumento do poder dos militares, que o conseguiam por vias ilegais.
Jango queria negociar, Brizola resistir. E por 14 dias, a tensão rolou solta.
Jango então vai para Brasília negociar com os militares. A proposta dos golpistas, para conciliar o golpe com a constituição, era que Jango assumisse com poderes reduzidos, em um sistema parlamentarista.
A contra-gosto, para impedir um banho de sangue no Brasil, Jango aceitou as demandas militares e assumiu a Chefia do Estado sem plenos poderes de Chefe de Governo (que passaram para Tancredo Neves, primeiro-ministro). Isso durou até 1963, quando um plebicito fez retornar o presidencialismo no país.
Brizola marcou o país pela campanha que conseguiu articular em nome da Resistência Democrática. Em 1964, quando Goulart leva um novo golpe, Brizola tentaria novamente iniciar a Rede da Legalidade, mas Jango o impede, para que não se iniciasse uma Guerra Civil no país. Contra ditaduras, Brizola sabia que isso significava se entregar ao autoritarismo e à barbárie. Ele estava certo.
Confira vídeos do discurso:
https://youtu.be/vPbB7PH8A-U


A Revolução industrial brasileira e a história do trabalhismo



A Revolução industrial brasileira e a história do trabalhismo

Estranharam o título? Esperavam um texto sobre a revolução Industrial Inglesa, no século XVIII, com o advento das máquinas a vapor? Pois então, é isso que aprendemos na escola.
Mas, e a Revolução Industrial Brasileira?
Vou tentar explicar sem que esta leitura fique chata.
Por conta do extrativismo colonialista empreendido por Portugal à sua colônia chamada Brasil, o processo de industrialização das bandas de cá, se inicia no final do século XIX, muito tempo depois. Mas nós temos nossa história; e é sobre ela que vamos conversa hoje.
Com o final da escravidão, e mão de obra abundante com a imigração de italianos, muitos cafeicultores brasileiros começaram a investir em fábrica de tecidos e calçados, com sobra de suas riquezas provenientes da exportação do café.
Durante a república velha, 1889 a 1930, as oligarquias regionais é que governavam o país, faziam daqui o que bem entendiam. O Estado brasileiro praticamente não existia, direitos trabalhistas e sociais, nem pensar!
Mas o povo iria reagir. O Movimento Tenentista, liderado por Luis Carlos Prestes, percorreu 25 mil Km demonstrando sua insatisfação com as desigualdades sociais. Em 1922 o Movimento de Arte Moderna, com intelectuais, artistas, demonstraram, da mesma forma sua insatisfação e ficaram para a história.
Na Europa, também parte do mundo se rebelava contra os maus tratos, carga de trabalho desumana, ausência de proteção social, exploração da força de trabalho de forma absurda. Na Rússia, com a revolução, os operários tomam o poder para si em 1917. Enquanto isso, a bolsa de valores de Nova Iorque faz ….”crack” em 1929. O Mundo estava em completa turbulência.
Em 1930, Júlio Prestes, fraudando as eleições, ganha as eleições presidenciais de Getúlio Vargas, que, apoiado pelo povo, pela classe média emergente e pelo operariado, toma o poder. A revolução sai vitoriosa e começa aí, o primeiro período Vargas, que vai de 30 a 45.
É neste período que a industrialização brasileira, de fato, é impulsionada. Foram criadas leis regulamentando o mercado de trabalho, implantado medidas protecionistas aos produtos nacionais e realizados grandes investimentos em infra estrutura; tendo o setor industrial se beneficiado bastante com a Segunda Guerra Mundial de 39 a 45. Sim, porque os países centrais, envolvidos diretamente na guerra e com suas cidades bombardeadas, necessitaram importar muitos produtos industrializados, inclusive do Brasil.
Mas com o fim da Guerra em 1945, chega ao fim o primeiro governo Vargas, que é deposto pelos militares. São criados dois partidos, o PSD (Partido Social Democrata) e o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), composto, em sua grande maioria, por operários e sindicalistas, preocupados em defender o legado getulista.
Aqui começa o trabalhismo brasileiro.
O papo tá chato?
Então vamos fazer um intervalo. Leia este pequeno texto outras vezes. Sedimente estas informações. Conhecer nossa história é fundamental pra quem quer construir o futuro.
Voltamos já. Um abraço fraterno
Marcio Aurelio Soares
Medico Sanitarista e do Trabalho


“Suicidou-se o Sr Getúlio Vargas”


“Suicidou-se o Sr Getúlio Vargas”

Há 65 anos, esta foi a manchete do Jornal O Globo. Um suicídio que marcou a história do Brasil em 24 de agosto de 1954.
Para entender o contexto de sua morte:
Getúlio retorna ao poder pelo voto direto nas eleições de 1950. Com Vargas o Brasil começa a se industrializar, a se modernizar e assumir algum protagonismo internacional; funda a Petrobras, o BNDES, a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda) e a Eletrobrás. Embora tenha sido um ditador de 1937 a 1945, quando os direitos políticos desaparecem, ele faz surgirem os direitos sociais por meio das leis de proteção ao trabalho. Ao contrário de outros países, cujas lutas populares levaram a conquistas sociais, no Brasil, isso se dá diante de um governo ditatorial. Vargas entra no século XX com ideias positivistas, para quem a centralização de poder seria indispensável para que o Brasil se desenvolvesse.
No entanto, de “volta aos braços do povo”, como costumava dizer, encontra um país dividido entre os liberalistas e os nacionalistas. Os primeiros, representados pelo empresariado nacional, e militares, defendiam a abertura da economia nacional ao capital estrangeiro e adoção de medidas monetaristas que controlariam as atividades econômicas e os índices inflacionários. Por sua vez, os nacionalistas, que contavam com trabalhadores e representantes de esquerda, eram favoráveis a um projeto de desenvolvimento que contasse com a participação maciça do Estado na economia e a rejeição ao capital estrangeiro. Esse dualismo, gerava grandes enfrentamentos, em especial, de Carlos Lacerda, jornalista e político, oposicionista ferrenho, representante dos liberais, contrário a intervenção nacionalista de Vargas. Lacerda tinha o apoio da elite econômica, em especial dos jornais da época, como A Tribuna de Imprensa, de sua propriedade, de O Globo, de Roberto Marinho, e, de Última Hora, de Samuel Wainer, que denunciavam a “esquerdização” do governo e práticas de corrupção.
Foi aí que seu segurança pessoal, Gregório Fortunato, teve uma “grande” e péssima ideia, atentar contra a vida de Carlos Lacerda, em frente a sua residência, em Copacabana; o que ficou conhecido como o Atentado da Rua Toneleiros, quando seu segurança e Major Rubens Vaz, perde a vida, no dia 05 de agosto de 1954. Na condição de militar, o inquérito foi conduzido pela Aeronáutica, período chamado de  “A República do Galeão”. Há muitas controvérsias a respeito deste caso, mas, de qualquer forma, serviu como mais um grande fator de pressão em cima do governo.
O golpe era iminente. Mídia e suposto atentado, eram fatores mais que suficientes para que a elite e os militares exigissem a renúncia de Getúlio Vargas, que adia o golpe por 10 anos, com seu suicídio.
Se você consegue ver alguma semelhança com o golpe de 1964 e com os enfrentamentos políticos atuais, você não está errado. Como diria Karl Marx, “a história se repete, a primeira como tragédia e a segunda como farsa”.
Marcio Aurelio Soares

A Revolução industrial brasileira e a história do trabalhismo




A Revolução industrial brasileira e a história do trabalhismo

Estranharam o título? Esperavam um texto sobre a revolução Industrial Inglesa, no século XVIII, com o advento das máquinas a vapor? Pois então, é isso que aprendemos na escola.

Mas, e a Revolução Industrial Brasileira?

Vou tentar explicar sem que esta leitura fique chata.

Por conta do extrativismo colonialista empreendido por Portugal à sua colônia chamada Brasil, o processo de industrialização das bandas de cá, se inicia no final do século XIX, muito tempo depois. Mas nós temos nossa história; e é sobre ela que vamos conversa hoje.
Com o final da escravidão, e mão de obra abundante com a imigração de italianos, muitos cafeicultores brasileiros começaram a investir em fábrica de tecidos e calçados, com sobra de suas riquezas provenientes da exportação do café.

Durante a república velha, 1889 a 1930, as oligarquias regionais é que governavam o país, faziam daqui o que bem entendiam. O Estado brasileiro praticamente não existia, direitos trabalhistas e sociais, nem pensar!

Mas o povo iria reagir. O Movimento Tenentista, liderado por Luis Carlos Prestes, percorreu 25 mil Km demonstrando sua insatisfação com as desigualdades sociais. Em 1922 o Movimento de Arte Moderna, com intelectuais, artistas, demonstraram, da mesma forma sua insatisfação e ficaram para a história.

Na Europa, também parte do mundo se rebelava contra os maus tratos, carga de trabalho desumana, ausência de proteção social, exploração da força de trabalho de forma absurda. Na Rússia, com a revolução, os operários tomam o poder para si em 1917. Enquanto isso, a bolsa de valores de Nova Iorque faz ….”crack” em 1929. O Mundo estava em completa turbulência.

Em 1930, Júlio Prestes, fraudando as eleições, ganha as eleições presidenciais de Getúlio Vargas, que, apoiado pelo povo, pela classe média emergente e pelo operariado, toma o poder. A revolução sai vitoriosa e começa aí, o primeiro período Vargas, que vai de 30 a 45.
É neste período que a industrialização brasileira, de fato, é impulsionada. Foram criadas leis regulamentando o mercado de trabalho, implantado medidas protecionistas aos produtos nacionais e realizados grandes investimentos em infra estrutura; tendo o setor industrial se beneficiado bastante com a Segunda Guerra Mundial de 39 a 45. Sim, porque os países centrais, envolvidos diretamente na guerra e com suas cidades bombardeadas, necessitaram importar muitos produtos industrializados, inclusive do Brasil.
Mas com o fim da Guerra em 1945, chega ao fim o primeiro governo Vargas, que é deposto pelos militares. São criados dois partidos, o PSD (Partido Social Democrata) e o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), composto, em sua grande maioria, por operários e sindicalistas, preocupados em defender o legado getulista.


O papo tá chato?

Então vamos fazer um intervalo. Leia este pequeno texto outras vezes. Sedimente estas informações. Conhecer nossa história é fundamental pra quem quer construir o futuro.
Voltamos já. Um abraço fraterno

Marcio Aurelio Soares
Medico Sanitarista e do Trabalho

Reconstruindo sonhos

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Reconstruindo sonhos



         Eu era muito jovem, 21 anos, universitário, pleno de sonhos e determinação para construir um mundo melhor de se viver. Vivíamos em plena ditadura militar. O ano era de 1980; a UNE - União Nacional dos Estudantes, acabara de realizar seu primeiro Congresso de reconstrução na legalidade em maio de 1979. Nossa sede, na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, tinha sido sede do Clube Germânia, reduto dos simpatizantes do nazifascismo, até que os estudantes, em 1942, o tomaram para si, fazendo dele o centro das lutas estudantis. Em 1962, foi fundado ali o famoso CPC – Centro Popular de Cultura, pelo ator e dramaturgo Oduvaldo Viana Filho, o Cineasta Leon Hirszman e o sociólogo Carlos Estevam Martins. A proposta veiculada pelo CPC logo recebeu a adesão de vários outros artistas e intelectuais, entre os quais Ferreira Gullar, Francisco de Assis, Paulo Pontes, Armando Costa, Carlos Lyra, João das Neves, e tantos outros. Eram tempos em que ser reconhecida(o) não era ter o carro mais novo, a roupa de marca, o relógio caro. Ser charmosa(o) era saber escrever poesia, tocar violão, ser sensível e angustiado por tanto a ter que construir num país tão pobre e tão rico.

            Mas os sonhos acabam. Não, os sonhos, eles tentam destruir. Foi isso o que aconteceu naquela manhã do 1º de abril de 1964, os fascistas atearam fogo no prédio, destruíram tudo e quase a todos, se a estudantada não tivesse fugido pelos fundos do prédio.

            De 1964 a 1980, passava diariamente de ônibus pela praia, e lá estava o prédio enegrecido pela fuligem, estampando na nossa cara, os tempos de trevas.

            Por um ato discricionário do Governador do Estado da Guanabara, Sr Chagas Freitas, antevendo nossa intenção em voltar a ocupar a nossa sede, ordenou sua demolição. Mas a juventude é poderosa e transformadora. Foram dias de luta judicial, vigília na porta do prédio. Até que o Choque da Polícia resolveu entrar em ação e a porrada comeu solta. Foram 14 estudantes presos, e muitos machucados. Não esqueço de um deles, até hoje, grande amigo. Foram 11 pontos na cabeça! Saímos destruídos com nosso prédio no chão. Mas não destruíram nossos sonhos.

            Os tempos foram passando, me formei, casei, tive filhos; os projetos foram se renovando; até que hoje, aos 60 anos de idade, estou aqui de novo, cheio de sonhos e determinação para construir um mundo  de se viver.

A mesma velha e conhecida história

A prática não é nova, se repete todas as vezes que ocupam o ninho. Funciona assim, se não sou capaz e sou incompetente, para resolver um problema, deixo-o crescer, mostro para a sociedade que o problema é insolúvel e o entrego, de mão beijada, para a iniciativa privada. O discurso parece lógico. A máquina pública é um paquiderme, não tem agilidade para administrar os serviços necessários, que a sociedade exige. Então, transfere-se os recursos para uma Organização Social ( OS ), que o fará muito melhor, dizem com entusiasmo. Os contratos de prestação de serviços não precisarão ser licitados, os funcionários serão contratos pela CLT e sem concurso público e as compras se darão com muito mais agilidade.

Parece uma grande piada, mas é isso que estão querendo fazer em Santos. O PSDB administra assim, privatizando bens públicos.

As Organizações Sociais (Oss), são entidades da sociedade civil sem finalidade econômica, conforme Lei Complementar nº 846 de 04/06/1998, que dispôs sobre a qualificação de Organizações Sociais no âmbito do Estado de São Paulo, especificamente para atuar nas áreas da saúde e cultura. Isso significa dizer que qualquer um pode fundar uma ONG – Organização Não Governamental, se cadastrar no Governo do Estado e, conforme seu apadrinhamento político, obter o título de OS, receber os recursos do Município e administrar os serviços de saúde da cidade. A capacitação técnica e o histórico de prestação de serviços destes futuros administradores serão avaliados pelo executivo municipal, basta a Câmara de Vereadores aprovar lei específica encaminhada, recentemente, pelo Prefeito Paulo Alexandre Barbosa, com fim de regulamentar esta iniciativa.

Mas por que administrar o bem público parece ser mais complicado? A resposta é muito simples. Porque é público, é nosso, é da sociedade e quem o administrar tem que dar satisfação a todos nós. Por isso, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 37, diz que “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência…”. O princípio de legalidade, significa que nada tem valor se não preencher os requisitos legais. Ao contrário da administração privada, que tudo pode ser feito, desde que não afronte a lei, no poder público só pode ser feito o que tenha uma lei prévia autorizando determinada ação. O princípio de impessoalidade, não permite o tratamento distinto entre as pessoas, de acordo com seu grau de relação com o detentor de cargo público, prevendo a universalização do atendimento, sem privilégios ou discriminações. A moralidade norteia as ações em consonância com a probidade administrativa. São casos em que a lei pode permitir uma ação, mas que, por um conjunto de fatores, fere a moral das pessoas.  A publicidade está prevista como ferramenta para divulgar atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos em caráter educativo, informativo ou de orientação social, sem a caracterização de promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.

Este princípio é tão forte que torna inócuo qualquer procedimento que não tenha recebido a publicidade exigida. Isto facilita a transparência e o acompanhamento dos atos da Administração Pública. Por fim, a eficiência. Esse princípio foi incluído em 1998, na Emenda Constitucional número 19. Foi um grande avanço do Congresso Nacional, pois percebeu-se que diversas ações públicas, apesar de cumprirem as exigências (legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade), eram ineficientes.

Por que estamos indo contra a maré? Santos já foi modelo de atendimento público em saúde!! Quem não lembra da implantação dos NAPS – Núcleo de Apoio Psicossocial? Do Programa de Combate as DSTs, especialmente, ao HIV? Da implantação das Policlínicas? Fomos a primeira cidade brasileira e oferecer atendimento domiciliar público! Porque querem jogar esta história fora?

A despeito de existir no âmbito do STF ação de inconstitucionalidade contra este modelo de gestão da saúde através das Oss, a sociedade não pode prescindir de seu direito e de seu dever, de impedir que os princípios de  legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, sejam desprezados.

Feliz Dia dos Médicos!!!

Nesta sexta-feira (18) comemoramos mais um dia do médico. Estamos vivendo um momento de aparente perda para a categoria, mas que pode se traduzir muito mais do que em ganhos particulares para os médicos, mas em um momento de avanços para a saúde da população, pois a iniciativa do Governo esta permitindo um debate importante na sociedade que deve ser ampliado pela mídia.

A questão é muito maior do que ser contra ou a favor do Mais Médicos. É necessário discutir o tipo de médico que queremos formar. Se aquele com uma visão mais geral do processo saúde/doença ou o mais especialista. Temos que desenvolver um sistema de saúde equilibrado com a participação dos demais profissionais, todos assegurados por uma carreira federal forte que permita um desenvolvimento técnico profissional sustentado.

Apesar das dificuldades, meu orgulho, após 29 anos de formado, ainda esta vivo, pois, só quem viveu 35 anos de estudo e trabalho intensos sabe dos momentos inesquecíveis de muita alegria e, as vezes, de profunda tristeza.

Aos meus colegas que estão iniciando agora, não se deixem abater pelas eventuais dificuldades momentâneas, pois na nossa profissão as dificuldades são permanentes. Fazem parte de nossa rotina!

Abraço a todos, em especial em meus pacientes!

O muro de Berlim da Saúde Santista

O Muro de Berlim esta aqui na Saúde de Santos, erguido em frente à porta da Unidade Básica de Saúde e Pronto Atendimento Médico do Morro da Nova Cintra. Um muro que segrega, separa e bloqueia entrada das pessoas para o atendimento. Os doentes são obrigados a um grande deslocamento para acessar o espaço deste prédio da Saúde que acaba de completar um ano de vida. As justificativas para o muro são inúmeras. A calçada estreita que impossibilitava a construção de rampa de acesso, e segurança são os mais citados. Construir muros e fechar as portas das Unidades de Saúde é um procedimento de segurança?

Fui conhecer o Muro de Berlim da Saúde Santista com o Padre Valfran do
Morro da Nova Cintra e com o Luiz Cabeça do Movimento Pró Moradia dos Morros

A Saúde Pública deve ser organizada de modo a garantir os mais básicos preceitos de cidadania. Está escrito na constituição brasileira: “saúde é um direito de todos e dever do Estado”.

A Unidade de Saúde do Morro da Nova Cintra não é um exemplo isolado de muros que isolam nossa população do atendimento de Saúde. Nossos Prontos Socorros estão em petição de miséria. Sem extintores de incêndio, sem tampa nas latas de lixo, sem aparelhos de Raio-X, fundamental nos atendimentos de urgência, se for enumerar tudo falta espaço no texto. Fora tudo isso, as filas se multiplicam.

Com o atendimento básico sobrecarregado, a saída é procurar o Pronto Socorro mais próximo. Um simples corte no dedo como aconteceu com uma pessoa minha amiga há duas semanas na Nova Cintra, teve que mobilizar uma ambulância e o transporte de amigos e familiares ao Pronto Socorro Central para atendimento.

Ao contrário do que costumam dizer, não faltam verbas. O vilão da vez é a burocracia. Sim, Senhores, tem verba para a construção de Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs, aquisição de ambulâncias, reforma de Unidades, implantação de programas de saúde, tudo disponível no Ministério da Saúde. Mas, o grande problema, segundo os gestores da saúde pública em Santos, é a burocracia pública que emperra os processos de aquisição de material e equipamentos e contratação de pessoal.

Ora, às favas a burocracia, estamos falando de vidas que se perdem atrás desta tola justificativas. Não se trata aqui, da discussão sobre a necessidade de asfaltar essa ou aquela rua, de construir esse ou aquele viaduto, mas organizar os serviços de prestação de saúde, que salvam vidas!! Eu disse, salvam vidas!

Se é a burocracia que impede a tomada de decisão com a brevidade necessária, que o Prefeito decrete Estado de Calamidade Pública na saúde e desate estes nós de uma vez por todas.


Não podemos esperar mais a boa vontade dos burocratas de plantão.

UBS do Morro da Nova Cintra - Vários Problemas

Assista o vídeo abaixo com Marcio Aurélio Soares, Luiz Kabeça e Padre Valfran dos Santos e conheça os vários problemas da Unidade Básica de Saúde do Morro da Nova Cintra em Santos.


Birke Baehr: Um jovem exemplo de comportamento alimentar

Como nutrólogo e médico endocrinologista tenho me preocupado muito com a alimentação das pessoas, em especial das crianças. Afinal é na infância que fazemos nossas escolhas e elas nos seguem pelo resto da vida. Se adorarmos fast-food na infância fatalmente seremos adultos gordos. Por isso tornar a alimentação saudável para a garotada deve ser uma obsessão para os pais.

Isso exposto, tenho eu dividir com vocês uma notícia que li recentemente que dá conta de um menino norte-americano chamado Birke Baehr (foto), hoje com 14 anos, que se tornou uma das grandes referências da defesa de uma alimentação mais saudável. Palestrante, autor, futuro fazendeiro e defensor jovem da produção orgânica e local, Baehr é interessado no tema da alimentação desde os oito anos. Aos 11 anos, foi o palestrante mais jovem do TEDxNextGeneration, um ciclo de palestras que reuniu jovens de todo o mundo que apresentaram suas ideias para o futuro, realizado em 28 de agosto de 2010 em Asheville nos Estados Unidos. Baehr falou sobre os problemas relacionados ao modelo contemporâneo de alimentação.

Esse menino mantém um site próprio sobre alimentação e escreveu o livro “Birke na Fazenda – A História da Busca de um Garoto por Comida de Verdade (Birke on The Farm – The Story of a Boy’s Search for Real Food), lançado em 2012. Também trabalha como voluntário em fazendas de produção orgânica nos Estados Unidos.

Birke aponta questões como a exposição excessiva de crianças ao marketing de alimentos pouco saudáveis e como ele também foi influenciado por esse fenômeno na infância. O garoto conta que, ao pesquisar sobre a procedência e origem da comida, se deparou com alimentos excessivamente industrializados e produzidos com uso intensivo de agrotóxicos, aditivos artificiais, hormônios e similares, cujo modo de produção e cultivo também impactava negativamente o meio ambiente.

Desde então, assumiu o desejo de se tornar um agricultor orgânico, em defesa da Agricultura Regenerativa, conceito que considera a regeneração do solo através do cultivo, do meio ambiente no entorno e também da comunidade, por meio da melhoria de sua saúde, geração de riqueza, segurança alimentar e redução da geração de lixo orgânico, reaproveitado nesse tipo de agricultura.

As ideias de Birke tem ganhado força à medida que consumidores buscam saber mais sobre a origem dos produtos que consomem e passam a  repensar suas escolhas de consumo. Com isso favorecem sistemas de produção mais sustentáveis e saudáveis para as pessoas e o meio ambiente.

Segundo Birke, cada indivíduo pode incentivar um consumo mais consciente por meio de seus atos e estimular a mudança de comportamento de diferentes grupos e gerações com que mantém contato.

Veja, se um menino de oito anos é capaz disso, o que falta para você fazer a sua parte e buscar se alimentar de menos “lixo industrial” e mais alimentação saudável?

Confira Birke Baehr na TEDxNextGeneration

Mais sexo para ganhar mais

Um estudo realizado no Reino Unido com 7.500 pessoas com idade entre 26 e 50 anos revelou que pessoas que fazem sexo pelo menos quatro vezes por semana ganham 5% a mais do que aquelas que não têm uma vida sexualmente ativa. A pesquisa também apontou que falta de relação sexual pode causar ansiedade e depressão. As informações são do jornal Daily Mail desta sexta-feira (16). Coordenado pelo professor Nick Drydakis, da Anglia Ruskin University, o estudo mostrou que a falta de sexo pode afetar a vida profissional.

A pesquisa mostra que as pessoas precisam satisfazer suas necessidades básicas para ter sucesso na vida: comer, beber, dormir e ter relações sexuais.
O trabalho da Anglia Ruskin University aponta que as pessoas precisam amar e serem amadas para irem bem e focarem no trabalho e isso inclui o sexo. A solidão acaba gerando problemas de comportamento que podem influenciar no ambiente de trabalho.

Em relação ao salário, a teoria da pesquisa é que profissionais com salários mais altos são capazes de comprar presentes ao parceiro e isso pode ser recompensado com o sexo. Outra hipótese é que a renda permite que as pessoas tenham mais vida social.

O estudo, que abrangeu casais heterossexuais e homossexuais, aprofundou sobre temas como saúde, atividade sexual, situação de emprego e salário.
Sexo é vida, pulsação, já diz a música. Na novela das oito é possível ver esse problema bem abordado com a virgindade da enfermeira Perséfone, interpretada pela atriz Fabiana Karla, que mobiliza todo o Hospital fictício San Remo no objetivo de cessar essa ausência de sexo, esquecendo até mesmo o atendimento dos funcionários ou o andamento de processos por parte dos advogados. Por outro lado, a ausência de sexo não pode justificar negligência no trabalho!!


Sexo é bom e realmente ajuda a trabalhar melhor, mas sem abusos. Tudo o que é excessivo prejudica a vida e o bom andamento do dia-a-dia das pessoas. Pense nisso?

Acidente de trânsito em São Vicente: sinal de perigo!

Outro dia li uma matéria muito interessante da jornalista Renata Spinassi no Jornal Diário do Litoral, um combativo veículo de imprensa santista. Nele, a jornalista alertava para os problemas do atendimento de acidentes de trânsito em São Vicente. Hoje, a primeira cidade do país conta apenas com o Centro de Referência em Emergência e Internação- CREI, também conhecido por Hospital Municipal, para atender as vítimas deste tipo de ocorrência.

A área insular de São Vicente tem 10 quilômetros da Rodovia de Imigrantes em seu território. Já a área continental dispõe de 11 quilômetros da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega. São 21 quilômetros de estrada, espaço suficiente para vários acidentes. De acordo com a Ecovias, responsável pelas duas estradas, estes trechos contabilizam em média 50 colisões por mês. Agora imaginem um acidente deste, grave, e as pessoas tendo que serem transportados para o Centro de São Vicente, onde funciona o CREI. Muito tempo que pode ser decisivo para o atendimento.

Vale lembrar que a Cidade dispõe de prontos socorros nos bairros da Cidade Náutica, Parque das Bandeiras e Humaitá, todos próximos as rodovias. Porque não estruturar um atendimento com eficiência nesses lugares?
De janeiro a julho deste ano, segundo a reportagem do Diário do Litoral, o CREI atendeu 1.213 pacientes vitimas de acidentes de trânsito na Cidade. Um número elevado.

É interessante ver as declarações dos funcionários do CREI que mostram que o espaço foi projetado para ser um pronto-socorro e devido às necessidades do dia a dia foi virando desordenadamente um hospital. Ou seja, mesmo no melhor local da Cidade, onde há equipes multidisciplinares para estes atendimentos emergenciais, há demandas reprimidas a serem resolvidas.

Também é triste vermos as declarações dos pacientes, valorizando os cuidados do médicos no atendimento, mas mostrando claramente a falta de qualidade do mesmo devido a ausência de condições de trabalho.

No CREI, os especialistas que dão suporte aos atendimentos emergenciais são os mesmos dos pacientes que aguardam consulta. Com isso, quando ocorre um grande número de emergências, o atendimento do ambulatório, que já é crítico, fica deficiente.


Acompanhando na reportagem as justificativas do secretário de Saúde, não as vejo como suficientes. Um caos de Saúde de 16 anos não se resolve em 6 meses. Mas também não precisa esperar mais 16 anos pra fazer alguma coisa não é mesmo? É hora de agir! Afinal, quando alguém sofre um acidente de trânsito, todo mundo é igual, do pobre ao milionário, do atendido pelo SUS ao cliente do Sírio Libanês. Vamos investir prefeito Bili?

CONFIRA A MATÉRIA DO DIÁRIO DO LITORAL


Central de Vagas de Saúde na Baixada: Tomando o que é nosso!

A Saúde estadual é tão caótica que o povo da Baixada Santista precisou tornar prática a música “Revoluções por Minuto” e tomou o que é nosso e que a Secretaria de Saúde tinha tirado por total omissão da Direção Regional de Saúde. Estou falando da Central de Regulação Regional de Vagas Hospitalares que, depois de quase três anos, voltou para Santos.

Segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde, a unidade, que opera de forma experimental em Santos desde 15 de julho, realiza a regulação de leitos hospitalares na região e complementa a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), que coordena a descentralização na distribuição das vagas no Estado de São Paulo.

Isso é muito importante, pois é essa Central que distribui as vagas do Sistema Único de Saúde em hospitais locais, conforme a necessidade e gravidade dos casos. Estar situada em Santos é estar mais perto da realidade local. Esse era um pedido antigo das secretarias de Saúde da Baixada Santista. Isso porque, desde 2010, o gerenciamento das internações gerais e em UTIs passou a ser feito na Capital, o que para os gestores locais dificultava a agilização na localização das vagas nos hospitais da região. Agora imaginem comigo quantas vidas não foram perdidas por conta desta burocratização do atendimento médico?

A central de vagas volta a funcionar onde esteve até o fim de 2009. Dentro do prédio do Departamento Regional de Saúde 4 (DRS-4), na Aparecida. O serviço, de acordo com a Secretaria de Estado, segue os mesmos moldes da Cross, e atuarão em conjunto, tanto em apoio técnico, quanto operacional e nos casos de transferências inter-regionais. O equipamento funciona ininterruptamente, em turnos de 12 horas.

Esse retorno não resolve as grandes demandas da Saúde da Baixada Santista, que sofre com o baixo investimento do Governo Federal e Estadual. Porém, nos dá mais elementos e instrumentos para fazer o controle e a fiscalização da oferta dessas vagas, priorizando a população sofrida da nossa Região.
Vale enaltecer a cobrança da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, presidida pela ex-prefeita Telma de Souza (PT) que foi fundamental para fazer com que a Baixada Santista é uma das primeiras regiões do Estado que voltaram a gerenciar suas vagas. Prova de que temos que votar em deputados estaduais e federais locais para fortalecer nossa hoje combalida representatividade.


Só temos controle social sobre um político quando convivemos em sociedade com ele, fazendo com que sofra as mesmas consequências das decisões equivocadas do Estado e da União quanto a nossa comunidade. Por isso, sempre penso que a saúde do voto passa pela proximidade e conhecimento da escolha. São fatores fundamentais para os avanços regionais e vemos isso claramente nessa questão. Apesar de ser oposição ao governador Geraldo Alckmin, Telma pressionou e colaborou muito para o retorno da Central de Vagas da Baixada o que será decisivo para salvarmos vidas nos próximos atendimentos.