Coronavirus Voador








Coronavírus voador

Enquanto o País enfrenta a pior crise sanitária da história, e com o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, aproveitando cenário, segundo ele, o ideal para ir "passando a boiada de desregulamentações", um mosquitinho menor do que os outros, de cor preta com listras brancas no tronco e um ruído praticamente inaudível, está fazendo a festa na Baixada Santista: o Aedes aegypti.
A dengue já infectou 6 mil pessoas na Baixada Santista nos quatro primeiros meses desse ano, contra pouco mais de 1,5 mil no mesmo período de 2020. Não bastando isso, o Aedes transmitiu Chikungunya para mais de 1,8 mil pessoas em 2021, 180 vezes mais do que o primeiro quadrimestre do ano passado. Todos os sinais vermelhos estão acessos e mostram que alguém deixou as medidas preventivas de lado.
O Poder Público deve ter pensado que as doenças provocadas pelo mosquito dariam uma trégua em época de Covid-19 e, agora, corre para colocar o cadeado no portão arrebentado. Priorizou o combate ao coronavírus e esqueceu que as pessoas com as cabeças voltadas à pandemia, em distanciamento social, com máscaras na face, álcool em gel nas mãos e distanciamento social iam esquecer o devastador mosquito transmissor.  
É inegável que as pessoas reclusas em sua grande maioria relaxaram com a limpeza das calhas e vasos de plantas nos quintais de suas casa. Mas é verdade também que limpeza de terrenos baldios, inspeção em residências abandonadas e mato nas ruas ficou em segundo plano. Qualquer um podia constatar. O Aedes aegypti segue desafiando a ciência e matando gente nos países mais pobres. 
As prefeituras apelam para as nebulizações, os famosos fumacês. Utilizam um inseticida chamado malathion, que é repassado pelo Governo Federal ao Estado e estes aos municípios. É uma alternativa que vai além de um palmo do nariz em termo de eficácia e eficiência, ou seja, não resolve o problema nem a curto e nem a médio prazos, e, como se não bastasse isso, oferece riscos às pessoas e animais domésticos.
Não existe milagre. Como combater um mosquito que deposita seus ovos capazes de resistir a longos períodos de baixa umidade, podendo ficar até 450 dias no seco esperando um pouco de água limpa para nascer, sem ser acabando com os criadouros? Existem relatos de ovos do Aedes até em cascas de ovos de galinhas jogadas no lixo. O inseto se contamina a partir do momento que pica um pessoa já infectada. Em seguida, a fêmea, picando um indivíduo são, o infecta e, assim, vai se fechando o ciclo vicioso.
Com a evolução da medicina e ciências afins, o mundo desenvolvido acabou com a tuberculose, com a hanseníase, com a catapora, o sarampo, a poliomielite, a difteria, a rubéola, e tantas outras doenças. Mas em todos esses casos, nós não dependemos só da ciência médica. Consciência e determinação foram fundamentais. Investimento público em educação e saúde e cuidado no trato de políticas públicas urbanas, são essenciais para galgar um patamar melhor de qualidade de vida que esperamos.

Marcoo Airelio Sosres , medico  ex-candidato a prefeito de Santos pelo PDT.

















Misticismo ou Ciência

Edward A. "Doc" Rogers/Oakland Public Library

Durante a Gripe Espanhola surgiram tratamentos considerados "infalíveis".

Segundo os cientistas, a espécie humana teria surgido há uns 350 mil anos no leste da África. O Homo sapiens, como ficou sendo chamado o que é o homem moderno de hoje, é o resultado de uma longa evolução biológica e social que se espalhou pelo Mediterrâneo, depois para a Ásia, até alcançar as Américas, o que aconteceu há, aproximadamente, 50 mil anos.


A ciência teve origem na Grécia. Foram os gregos os primeiros a iniciarem as práticas científicas. O que existia antes era o conhecimento de um pequeno número de fatos, que sob um olhar, via de regra, místico, era privilégio de uns poucos. Apesar dos gregos terem o reconhecimento desse mérito, ao proclamarem a liberdade da investigação intelectual, essa ainda era uma ciência especulativa e sem objetividade e que só veio a tomar um sentido prático por conta dos romanos, aí sim, quando o homem começou a compreender as possibilidades de domínio da natureza, da interpretação dos fenômenos naturais , da organização de leis e criação de condições que lhes facilitassem a vida. Tudo passou a acontecer muito rápido, o que fez com se reduzisse o tradicionalismo místico e ampliada a interpretação objetiva dos fenômenos.


Mas foi no início do século XVI com a ciência moderna, é que se conseguiu articular o método de observação e experimentação ao uso de instrumentos técnicos, principalmente com a invenção do microscópio e do telescópio. Era o ápice de uma época que se definiu como o Renascentismo. Era o final do feudalismo e início do capitalismo. Aqui vale um parêntese. Se tiverem a oportunidade, visitem a Itália, a capital renascentista, e conheçam, especialmente, Florença e Pádua. 


Juntando os parágrafos. O homem moderno surge há 50 mil anos e a ciência moderna há uns 500 anos. Se imaginarmos esses 50 mil anos representados em um dia, portanto, em 1440 minutos; à ciência corresponderia 14 minutos e meio, tempo suficiente para duplicar a expectativa de vida de nossa espécie. À ciência e aos cientistas, nossa reverência pelo desenvolvimento tecnológico e pelos ganhos de novos saberes em evolução permanente. 


Em uma dessas viagens, chegando a Paris, deixei as malas no hotel e, rapidamente, andei alguns quarteirões para encontrar o Instituto Pasteur; um prédio majestoso em estilo neoclássico, que é a representação viva da vitória da ciência sobre a doença. Logo à frente, em sua alameda principal, está instalada a escultura de nome “a mordida”: o menino Joseph Meister sendo mordido em 1885 por um cão rábico. Uma homenagem ao primeiro caso de cura da hidrofobia. Sob a liderança de Pasteur, na “cidade luz”, vencemos a raiva, a difteria, o tétano, a tuberculose, a poliomielite, a gripe, a febre amarela e a peste bubônica.


No século passado, no final de setembro de 1918, passageiros desembarcando de um navio britânico vindo de Lisboa, trouxeram a doença que se passou a chamar gripe espanhola (que ao contrário do que pensamos, surgiu na Filadélfia, nos Estados Unidos). De acordo com os historiadores, as autoridades brasileiras da época demoraram a agir: medidas de prevenção e de distanciamento social só foram tomadas quando a pandemia já acometera grande parte da população. Pesquisas da Fiocruz indicam que entre outubro e novembro de 1918, 65% da dos brasileiros contraíram a doença. Só no Rio de Janeiro foram 14 mil óbitos. Dentre as pessoas que adoeceram estava Rodrigues Alves, que chegou a ser eleito do presidente do Brasil mas morreu antes de sua posse. Sem vacina, surgiram os tratamentos considerados “infalíveis” e para nós hoje os mais estranhos possíveis. “Pitadas de tabaco, balas de ervas e tônicos; alfazema queimada ou incenso para “limpar o ar” e, até, a ingestão de sal de quinino, antigo remédio usado para o tratamento da malária, que, sem qualquer comprovação de sua eficácia, sumiu das prateleiras.


Tem-se notícia que, em 1919, uma CPI no Senado foi instaurada por conta dos desmandos presidenciais, mas se passaram pouco mais de cem anos e os recursos, decursos e agravos de instrumentos solicitados por sua defesa ao Tribunal Superior de Justiça ainda não permitiu que os “órgãos colegiados” chegassem a uma conclusão sobre o caso. Mas, apesar das centenas de testemunhas ouvidas e milhares de óbitos documentados os prazos processuais estão correndo e as autoridades afirmam esperar concluí-lo, no máximo, até 2090.


Nota: Este último parágrafo naturalmente, não é verdadeiro; foi uma ironia. Mas os anteriores, acreditem ou não, correspondem aos fatos.

 

 

 


A Saúde em Nossas Mãos.

"É importante estarmos aqui debatendo e informando sobre nosso bem maior, a saúde".

Inaugurando essa coluna, quero agradecer ao Jornal da Orla pelo espaço e dizer do quanto é importante estarmos aqui debatendo e informando sobre nosso bem maior, a saúde. Interessante é que quando nos referimos à saúde lembramos imediatamente de alguma doença; e, nesse momento, nos vem à mente imediatamente, a Covid-19, e com razão.

Lembramos de doenças porque seu conhecimento, sua evolução clínica natural, as formas como as contraímos e nos curamos, são fundamentais também para a sua prevenção. 

Nesse caso, e sempre, a informação é poder. Um povo informado e culto certamente será um povo mais saudável. Cumpro, portanto, neste espaço a missão de trazer informação, sob todos os pontos de vistas, de forma a nos ajudar a enfrentar essa que é uma condição inexorável da vida, a doença e a morte, mas que nós humanos lutamos tanto em busca de seu reverso, a saúde e a infinitude.

Temos evoluído bem no quesito sobrevida média de nossa espécie. Nas últimas décadas, a expectativa de vida aumentou significativamente em todo o mundo. Quem nascesse em 1960, poderia esperar viver até os 52 anos de idade. Hoje, a média é de 71 anos – informação da ONU – Organização das Nações Unidas. Com extremos positivos, como a expectativa de vida feminina no Japão de 90 anos, estando os países desenvolvidos com a expectativa geral em torno dos 80 anos

O salto no Brasil foi ainda maior. Nas últimas cinco décadas, nossa expectativa de vida ao nascer pulou de 48 para os atuais 75,5 anos. E vejam que dado importante. A sobrevida de um sexagenário no Brasil hoje é de 22,3 anos, ou seja, uma expectativa média de viver até 82 anos.

Opa, vocês vão ter que me aturar! Vai dizer aquele coroa, tiozão do churrasco, com quem sempre nos identificamos por nos vermos nessa personagem tão leve que é a expressão de nós mesmos.

Não é difícil fazer um exercício aqui para entendermos essas realidades diferentes e, num olhar rápido, díspares, até. 

A expectativa de vida é resultante de condições de vida socialmente melhores ou piores e mais ou menos protegidas devido aos avanços tecnológicos que impactam na produção, distribuição e uso e consumo de equipamentos médicos para diagnóstico (ecocardiograma, por exemplo) e para a manutenção da vida (respirador mecânico, um outro exemplo); insumos e medicamentos; e, profissionais treinados e qualificados cuidar de nossa saúde.

A diferença está que somos um País muito desigual e violento. Nossa principal causa de morte entre cinco e 50 anos é a violência; e acima dos 50 anos, as doenças crônico degenerativas (infarto, derrame, diabetes, câncer etc). “Matamos” mais nossos jovens, no trânsito, com armas de fogo, em afogamentos, ao mesmo tempo que avançamos na oferta de serviços de saúde, particularmente, por termos criado o maior sistema público de saúde do mundo, universal, integral e para todos.

Fortalecer a presença do Estado nas periferias, de modo que se intensifique a atenção aos nossos jovens, com maior oferta de serviços sociais, como esporte, cultura, formação profissional, lazer e educação de qualidade, que ensine mais a perguntar do que a responder, associado a ações públicas que garantam maior investimento na saúde pública, esses são os caminhos para preservação da vida, com melhora de sua expectativa e maior qualidade em seu viver. 

"Brasil precisa de mais 10 milhões de funcionários públicos", diz dirigente sindical

 


Sabe aquela conversa que o Brasil tem funcionários públicos demais? Trata-se papo furado. De acordo com o presidente da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), João Domingos Gomes dos Santos, o País precisa de mais 10 milhões de servidores para atender a demanda existente. 

Santos afirmou em uma "live" realizada pelo Sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos. Ele lembrou ainda que esse número está abaixo da média mundial. 

Nos países desenvolvidos ou em desenvolvimento, a média de servidores pelo total da população é de 22%, sendo que no Brasil ela é de 2%, ou seja, uma das menores administrações públicas do Planeta. 

De acordo com o dirigente sindical, a média de trabalhadores diretos e indiretos no serviço público brasileiro é inferior a 4%. Na América do Sul, a média é de 7,5%. No Chile e Argentina, acima de 9%.

"Para realizar o sonho de integrar a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, conhecida por ‘clube dos ricos’, fundada em 1961, temos que expandir a administração pública", disse Santos.


ANVISA libera tratamento precoce para Covid 19

 


A prescrição médica na berlinda

 

Uma falsa berlinda. Uma falsa polêmica. Resultado de banalização de uma polarização política que só interessa a seu protagonista.

De qualquer forma, o tratamento médico para a Covid-19 está no banco dos réus. E também na boca do povo.  O Ministério Público Federal de São Paulo (MPF/SP) já oficiou três vezes o Conselho Federal de Medicina (CFM)  questionando se o órgão, diante de tantas novas evidências científicas, pretendia rever o PARECER Nº 4/2020, de 16 de abril de 2020 que considera a indicação do uso de Cloroquina/Hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 em casos leves e até graves, desde que em decisão compartilhada com o paciente e sendo este, obrigatoriamente,  informado sobre a inexistência, até aquele momento, de trabalho científico que comprove o benefício do uso da droga para o seu tratamento.

 

Até o momento o CFM não respondeu, se limitou apenas a emitir uma nota, em janeiro deste ano,  afirmando que a “ciência ainda não concluiu de maneira definitiva se existe algum benefício ou não com o uso desses fármacos...e que o órgão, não apoia nem condena o tratamento precoce ou qualquer outro cuidado farmacológico”. Por outro lado, a Associação Médica Brasileira, recentemente, publicou em seu site um comunicado subscrito por mais de uma dezena de sociedades científicas, afirmando que “o uso de Cloroquina e outros remédios sem eficácia contra Covid-19 devem ser banidos (do receituário médico)”.

 

O fato é que até o momento, nada sabemos sobre tratamento específico para esta virose que abate todo o Planeta. Durante a "Peste Negra" - nome dado à Peste Bubônica-  que se estima que tenham morrido de 30 a 60% da população europeia, os médicos recorriam a diversos “tratamentos”, o mais recorrente deles era esfregar cebolas ou carne de cobra nos furúnculos que apareciam na pele. No início do século passado, foi a vez da gripe espanhola, e não faltaram terapias milagrosas; as mais famosas foram as que juntavam formol, canela e flores de jasmim amarelo; uma tentativa desesperada que não impediu que milhões de pessoas morressem em todo o mundo.

 

Os tempos são outros. São de sistematização da ciência e da criação de protocolos terapêuticos. Os vírus só começaram a poder ser vistos com a ajuda de um microscópio eletrônico em 1932 e antes disso, acreditava-se na teoria miasmática, em que as doenças eram transmitidas por eflúvios advindos de odores fétidos provenientes de matéria orgânica em decomposição. Essa teoria explica a arquitetura de muitas casas presentes em nosso cenário até hoje construídas com porão. Os tempos atuais também são os de Deontologia e Ética Médicas, partes da Medicina Legal que se ocupam de normas a que o médico está sujeito no exercício da profissão, e, nesse contexto a “autonomia médica (na prescrição de medicamentos)”.

 

O fato é que com cebola, flores ou miasmas, cloroquina ou ivermectina, respeitados cada um sua época, nós temos outro componente mais grave que é a polarização de opiniões. O debate não está em se devemos, ou temos que realizar o tratamento precoce mesmo sem evidências científicas definitivas. A questão é, se esse chamado “kit covid” previne, cura ou trata? A resposta é que só existem dois tipos de condutas preventivas, o isolamento social e a vacina. Que não existe cura para a Covid-19 por meio de medicamentos - A doença tem sua evolução natural que depende das condições clínicas de quem a contraiu (capacidade de resposta) e da carga viral inalada. E que o tratamento é indicado conforme surgem as complicações, podendo serem elas mais ou menos graves.

 

No mais, o resto é balela de quem quer dar reposta política rasteira e não tem interesse e capacidade para liderar uma nação em busca de resultados para esta praga sanitária e econômica, e quer se manter no poder à custa do caos.

Em tempo, a ANVISA – Agência de Vigilância sanitária acaba de emitir autorização temporária do uso emergencial do coquetel REGEN- COV2 no tratamento de pacientes com a covid 19. Liberado em caráter experimental, o tratamento reúne os medicamentos casirivimabe e imdevimabe  e é destinados a casos leves e moderados com resultado positivo em laboratório para o novo coronavírus e que possuem alto risco de progredir para formas graves da doença. Aprovado recentemente pela FDA – Food and Drog Administracion, o tratamento foi submetido a testes clínicos com 1505 pessoas com idade média de 44 anos, ficando comprovado, por enquanto a redução de riscos em 81%.

 

 

Marcio Aurelio Soares, em 19 de abril de 2021

19 de Abril- Nascimento de Getúlio Vargas, a grande liderança.

19 de Abril- Nascimento de Getúlio Vargas, a grande liderança.


As inúmeras análises, críticas e conjecturas, que ao longo dos anos, fizeram a Getúlio Vargas seguem o paradoxo insofismável das paixões de uma figura que dividiu as narrativas que mudaram os paradigmas do Brasil.
Neste contexto observamos que à luz da História dificilmente conseguimos olhar para Getúlio com a tranquilidade que a análise merece. O despertar dos ardores e a sua visão diferenciada continuam, até hoje, a influenciar a política e os rumos da nação.
Com início na década de 1930, Vargas, o construtor do Estado brasileiro com seu tripé ideológico e suas raízes profundas: soberania nacional, direitos sociais e desenvolvimento econômico, hoje, provocam um despertar de ódio da nossa classe dominante com mentalidade colonizada, e a tentativa de desmonte das conquistas  aos longos destes 90 anos. 
Desde seu suicídio em 1954 – ato extremo e único na História mundial – como manifestação de  desprendimento e de amor à Pátria, somado às denúncias e manobras das aves de rapina que não admitiam e não admitem nossa autonomia enquanto povo e enquanto nação, Getúlio Vargas continua no centro das disputas políticas, seja no seu legado com o avanço na conquista dos direitos sociais, seja na industrialização e no desenvolvimento nacional projetados e implantados por Getúlio, seja nos resquícios restantes de nossa soberania, todos eles têm a marca indelével da Era Vargas.
Em meio as paixões e clichês há uma constatação inconteste sobre Vargas que os mais raivosos adversários,  mais infecundos analistas concordam: sua liderança nata é aquela que marca, arrasta e perpetua. 
67 anos após sua morte, nenhum Chefe de Estado, superou ou se aproximou desta liderança e deste magnetismo que ainda hoje, permeia o Varguismo. Crescente ao longo do tempo não há como não ponderarmos que a cada período histórico, Getúlio se torna maior, mais atual e mais necessário.
Ao analisarmos o último período histórico, desde a nossa redemocratização, onde o combate a Era Vargas pautou e pauta a política brasileira, seja para o bem ou para o mal, fato é que Vargas sempre esteve presente nos principais debates nacionais. 
Desde Vargas nenhum outro presidente conseguiu dividir a História e se aproximou do gigantismo de sua obra de desenvolvimento nacional e direitos sociais deixados. Nenhum deles possuiu a autoridade que Vargas tinha. Autoridade moral, este talvez seja um dos legados mais condignos à figura de Vargas: a autoridade inconteste, indubitável e indiscutível  que emanava e que fizera dele uma liderança conduzidora e mobilizadora em defesa da construção de uma nacionalidade e de uma era profundamente revolucionária e emancipadora para nosso povo. Quiçá, hoje, seja este um dos principais males de nossa política: a ausência de autoridade moral e, consequentemente, de lideranças que unifiquem, que arrastem e que projetem novas Eras de progresso e de desenvolvimento.
Afinal, liderança como Vargas ainda não conhecemos. 
Manoel Dias 
Presidente da FLB-AP ( Fundação Leonel Brizola - Alberto Pasqualini)
Secretário-Geral do PDT


 

Hoje é dia de prova


 Hoje é dia de prova

            “Guardem os livros, nada de celular na mão. E não quero ouvir mais conversas entre vocês. Quem eu pegar colando, vai ganhar um zero!”

Começa assim mais um dia de aula da Turma 2B do ensino médio após mais de um ano de suspensão das atividades escolares devido à pandemia.

          E hoje já é dia de prova!

Marque um (X) na questão correta atribuindo autoria a cada frase:

1.     “Acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder”.

2.     “A única solução é dar um tiro no coco”. (Quando perguntado sobre o que faria se recebesse um salário mínimo).

3.     “Certamente o embaixador russo recebeu a notícia. Certamente mandou para o presidente Putin. E certamente o Putin ficou meio ‘putin’ com o Brasil”.

4.     “Moro que mande me prender, recebo sua turma na bala.“

5.     “Eu tenho aquilo roxo!“

6.     “O erro da ditadura foi torturar e não matar” 

                                                                                                                   

1ª Questão: Assinale a alternativa correta

a)     Lula, Ciro, Collor, Getúlio Vargas, Bolsonaro, Dilma

b)     Ciro, Collor, Getúlio Vargas, Bolsonaro, Dilma, lula

c)     General Figueiredo, Dilma, Lula, Ciro, Collor, Bolsonaro

d)     Dilma, General Figueiredo, Lula, Ciro, Collor, Bolsonaro

e)     Collor, Ciro, General Figueiredo, Dilma, Bolsonaro, Lula

 

 

1.     Como vou fazer para saber se as pessoas estão de calcinha preta, verde, vermelha ou sem calcinha?

2.     “Não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta, mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta”

3.     “O salário mínimo nunca será ideal porque ele é mínimo”.

4.     “Eu fui num quilombo em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles”.

5.     “Minha esperança é que essa pandemia ajude a maioria da humanidade a descobrir que já estávamos vivendo numa grande tragédia mais profunda: a da cultura do consumismo irracional misturada com o neoliberalismo criador  da superdesigualdade”

6.     “Minha gente! Não me deixem só! Eu preciso de vocês.”



2ª Questão: Assinale a alternativa correta

a)  Itamar Franco, Ciro Gomes, Bolsonaro, Lula, Dilma, Collor

b)  Collor, Ciro Gomes, Lula, Bolsonaro, Itamar Franco, Dilma

c)   Itamar Franco, Dilma, Lula, Bolsonaro, Ciro Gomes, Collor

d)  Lula, Bolsonaro, Collor, Itamar Franco, Dilma, Ciro Gomes

e)  Dilma, Ciro Gomes, Itamar Franco, Collor, Lula, Bolsonaro

 

Obs: Consulte as respostas no rodapé.

·        Se você acertou as duas questões é porque está preparado para continuar a estudar o Plano Nacional de Desenvolvimento.

·        Em caso de 50% de acerto de acerto, você está com meio caminho andado e deve continuar seus estudos a fim de compreender melhor o Plano Nacional de Desenvolvimento.

·        Mas se você não acertou nenhuma das questões, não se desespere, as eleições presidenciais ocorrerão somente em 02 de outubro de 2022. Até lá você terá tempo de compreender o Plano Nacional de Desenvolvimento e votar no candidato certo.

 

Marcio Aurelio Soares, em 15 abril de 2021



 

 

Caixa de Texto: Alternativas corretas: 1ª Questão: Letra (D) – 2ª Questão: letra C 

 

 

 

 

 

Chega de sufixos: PNI não alcança negros e pardos

 



Chega de sufixos: PNI não alcança negros e pardos

Por Marcio Aurelio Soares

De acordo com dados oficiais, 56% de nossa população se declara negra ou parda – terminologias utilizadas pelo IBGE. Entretanto, somente 19% dos vacinados são negros ou pardos. Essa conta não fecha. E por que não? Os critérios impostos pelo PNI-Covid 19 – Plano Nacional de Imunização se dão pela atividade profissional e idade, mas a expectativa de vida de negros e pardos é menor.

UMA MAIORIA INVISÍVEL

Em 2011, o Relatório Anual das Desigualdades Sociais, do Núcleo de Estudos da População, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), indicou que negros viviam em média 67 anos. Em 2018, o IBGE estimou que brancos viviam, em média, 76,6 anos. Apesar de não serem dados recentes, ainda há diferença de expectativa de vida, e bastante significativa.

Quantos profissionais de saúde são negros? Empiricamente, podemos facilmente chegar a uma conclusão. Basta entrar num hospital.

Essa diferença de sobrevida média entre negros e brancos está ligada basicamente a fatores como a desigualdade racial e a qualidade de vida, impactada pela cultura escravocrata que ainda nos impregna e reflete social e economicamente de forma nessa população.

Nessa linha de invisibilidade social, estão os indígenas, a população carcerária, trabalhadores da limpeza de hospitais e aqueles que fazem a manutenção predial em unidades de saúde. Os motoristas de transportes públicos – ônibus, especialmente; e os trabalhadores do porto, que têm contato com tripulantes estrangeiros, passíveis, portanto, de serem infectados.

Mas “eles” esqueceram também das professoras e professores. E insistem em abrir as escolas!

Quanta incongruência! Quem construiu esse PNI – Covid? Algum Lorde inglês? Ou foi copiado de um plano elaborado numa cidadezinha do norte da Suécia, da Dinamarca ou da Noruega?

PELA ERA DO “EIRO”: PRECISAMOS DE POLÍTICAS QUE PRIORIZEM OS MAIS SUSCETÍVEIS

Passou da hora de deixarmos de lado os “ismos”. Bolsonarismo, lulismo, fascismo, comunismo, e tantos outros.
Temos que entrar na era do “eiro”, de brasileiro.

Batendo o martelo, chamemos os “istas”, cientistas, epidemiologistas, sanitaristas, infectologistas. E os economistas. Concluiremos sobre as melhores condutas e orientações.

“Istas”- “ismos” serão “eiros” e, como tal, concederão auxílio emergencial urgente e do tamanho necessário à sobrevivência de grande parte da população; determinarão o isolamento social, o uso de álcool em gel; e, assim, como o restante do mundo, farão todos os esforços para imunizar a todas e todos até o final do ano. Cujo plano de vacinação dará prioridade aos mais frágeis, mais expostos e mais empobrecidos.

Feito isso, voltaremos aos sufixos; será a hora dos sofismas. Terão chegado as eleições.

Antes disso, temos uma grande luta: Impeachment já!

Berimbau

 


BERIMBAU

 

Que fomos um país escravocrata, que mais escravizou gente e por mais tempo, ninguém tem dúvida. Mas que continuamos a ser um país escravocrata, em sua forma moderna, disfarçada por leis criadas por poucos e, portanto, em privilégio desses poucos, alguns resistem ainda a admitir.

Basta visitar as cadeias e os presídios brasileiros, ou ainda, visitar as periferias de nossas cidades, locais onde o poder público passou de passagem e não deixou rastro, onde a maioria de nossa população vive com pouco ou quase nenhum acesso a educação e a saúde de qualidades, quanto mais de esporte, cultura e lazer.

Tudo bem. Você não quer visitar presídios. Eu entendo. Realmente é uma experiência muito desagradável. Como médico, já fui em alguns deles, e, confesso, foi horrível testemunhar a existência de seres humanos em situações tão degradantes.

Então visite a página eletrônica do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Os números não metem. 51% de nossa população é formada por pretos e pardos. Os nossos negros!

Em 350 anos de escravidão explícita, foram quase 5 milhões de negros, vindos especialmente de Angola, comercializados em praça pública e levados para trabalhos forçados nos campos de cultura da cana de açúcar e café. Nenhum outro lugar do mundo recebeu tantos escravos!

Mas os humanos nasceram para serem livres, por isso, escravizados resistiram e continuam a resistir.

Resistiram fugindo dos engenhos, das fazendas e das minas. Formando comunidades nas florestas, os quilombos, onde preservavam suas culturas e seus costumes originários.

Nesse movimento de resistência foi surgindo a capoeira, uma forma de defesa pessoal. Mas como eram proibidos de praticarem qualquer tipo de luta, a música foi utilizada como uma maneira de disfarce, fazendo com que se passasse por uma dança. E aí nós temos o berimbau ditando o ritmo e o estilo do jogo ou da dança, como queiram.

A capoeira foi considerada crime até 1937, e só então legalizada por Getúlio Vargas, quando o Mestre Bimba abre sua primeira academia, o Centro de Cultura Livre e Luta Regional, em Salvador – Bahia.

Daí por diante, a capoeira foi considerada “Bem Cultural” pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 2008. E, em novembro de 2014, recebe o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO – órgão da ONU – Organização das Nações Unidas.

Enquanto isso o berimbau seguia ditando ritmos e cadências. Não só na capoeira, mas desenvolvendo seus próprios caminhos, chegando ao inusitado de ser incorporado como uma das armas melódicas do rock pesado do Sepultura de Max Cavalera.

 Mas foi Naná Vasconcelos, eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana Down Beat e ganhador de oito prêmios Grammy (brasileiro com mais prêmios Grammy), e Airton Moreira, considerados dois dos maiores percussionistas do mundo, em todos os tempos, que apresentaram o berimbau para o mundo. Nessa esteira, segue a Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene, no Butantã, em São Paulo, sob a batuta do Mestre Dinho Nascimento, músico percussionista, compositor e arte educador e tantas outras e tantos outros pela Bahia, Pernambuco, Rio de janeiro e pelo Brasil a fora.

A capoeira é do mundo. O berimbau é do mundo.

A escravidão foi nossa, e continua sendo nossa. E é um sério problema que a sociedade brasileira ainda terá que resolver. E nós vamos resolver.

 

 

 

Para onde vamos?

 


Para onde vamos? Ah, onde vamos parar?
Nessa encruzilhada, que estrada vamos pegar?

Essas são perguntas que não querem calar.

Mas tentam calar.

Sim, os negacionistas de plantão não acreditam que o planeta esteja sofrendo consequências sérias devido a emissão de gases de efeito estufa. Como se essa não fosse uma questão científica, mas de crença. Não é à toa que eles acreditem em terra plana.

Isso mesmo. Tem gente que acredita nisso! E esses mesmos, acreditam que vacina faz mal, que a pandemia não existe, que alimentos transgêneros sejam ok.

Mas a ciência demonstra que o aquecimento global está em curso e acelerado.

Preocupados com este fenômeno, Chefes de Estado de 195 países, se reuniram em 1995 na França e assinaram o que passou a ser chamado de Acordo de Paris, que tem como único objetivo combater o aumento da temperatura terrestre provocada...pelo aquecimento global. 

Na prática, significa impedir o aumento de 2º C na temperatura global em relação à era pré-industrial.

O Acordo também estimula a criação de mecanismos para diminuir o impacto das mudanças climáticas e a substituição de fontes de energia que emitem gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono e o gás metano, principalmente.

E quais os efeitos desse aquecimento do planeta e das mudanças no clima? Sentiremos mais calor e iremos sofrer com secas e derretimento de regiões congeladas do planeta, aliás, o que já está acontecendo.

O clima inteiro do planeta está às avessas. Lugares, antes quentes, podem ficar ainda mais quentes. Locais mais frios podem esquentar como nunca, ou registrar quedas drásticas de temperatura. Essas são as "mudanças climáticas".

Suas consequências são inúmeras.

Vão desde ao mal-estar térmico (sentir muito calor) à destruição de milhares de empregos que extraem recursos da natureza, passando por grandes períodos de seca, propagação de vírus com potencial pandêmico, migração forçada de milhares de pessoas de regiões do planeta quentes demais para a sobrevivência humana, e por aí vai. Por exemplo: o aumento na quantidade e intensidade de ciclones que atingiram estados do sul do Brasil em 2020 são efeitos das mudanças climáticas/aquecimento global. Quando alguém diz que hoje em dia faz mais calor, não é só opinião. Cientistas afirmam que a temperatura média do planeta subiu 1.9ºC desde o século 19. Pode parecer pouco, mas significa um aumento de 3,3 mm por ano no aumento do oceano desde 1993, quando o índice acelerou como nunca.

O aumento do nível do mar pode desaparecer com ilhas, trechos do continente e causar um impacto profundo na fauna e em nosso estilo de vida. Os polos gelados do planeta podem desaparecer para sempre, ou durante o verão, e aumentar ainda mais o nível regional das águas.

As regiões de gelo do planeta são importantes para equilibrar a temperatura e a troca de estações em todo o mundo.

A Terra já passou por mudanças de temperatura antes, mas cientistas alertam que a velocidade das mudanças climáticas pode ter efeito arrasador para milhares de espécies que foram selecionadas pela natureza — entre elas, o autor das mudanças: o ser humano.

O Acordo de Paris é uma cooperação mundial de combate ao aquecimento global e não prevê punições.

Mas pasmem, os Estados Unidos abandonaram o Acordo durante o governo do ex-presidente Donald Trump. Retornando agora em 2021, após a posse de Joe Biden.

O Bolsonaro também ameaçou de retirar o Brasil, seguindo seu patrão estadosunidenses.

Mas não demorou muito para o falso leão virar gatinho. Bastou para que o presidente francês Emmanuel Macron anunciasse que não manteria um acordo comercial com o Mercosul caso o Brasil saísse do Acordo, que tanto a Europa como os outros países da América do Sul pressionasse Bolsonaro para este desistir da ideia.

E saber que em 1974 construímos o primeiro carro elétrico da América Latina com tecnologia 100% brasileira, uma ideia que viria a ser assumida pelas grandes montadoras só no século 21.

O carro se chamava Itaipu e foi fabricado pela Gurgel e a ideia ficou só no protótipo.

Mas se esse foi um projeto experimental, o utilitário E-400 foi produzido em série entre 1981 e 1982, com resultados interessantes.

Mas adivinhem o seu fim. Você já sabe. As montadoras estrangeiras de carros tomaram o mercado para si e não investiram mais em carros elétricos. O que estão fazendo agora.

O que era uma provisão de uns poucos malucos “paz e amor” da década de 1970, hoje tem comprovação científica. O mundo está mudando, e para pior.

Diminuam o consumo, desacelerem as máquinas. A mãe terra está suplicando por ajuda. Nossos recursos estão se esgotando, estamos invadindo ecossistemas naturais, a terra está aquecendo.

O impacto humano nesses habitats naturais, a perda de sua biodiversidade e a degradação de ecossistemas estão tornando eventos de propagação viral cada vez mais provável.

Senhores donos da terra, chega de ganância e poder. Queremos viver, mais e melhor.

 

Que será do mundo que vemos, que mundo nós
Deixaremos às gerações que virão após?
Que futuro desenhamos, que manhã?
Nosso tino ou desatino hoje define nosso destino aqui amanhã.

Marcio Aurelio Soares

24 fevereiro 2021


 

SACADA CULTURAL – PROGRAMA “FALA DOUTOR”

THE BEATLES

Vivíamos a década de 1960. Tempos de golpes. Sim golpes, com “s”, no plural.

Começando por 1961 quando militares, porta-vozes do grande empresariado e de uma horda direitista e conservadora, daquele tipo família, tradição e propriedade, assolavam o país e tentaram impedir a posse de João Goulart, após a renúncia de Jânio Quadros; aquele que foi eleito se utilizando da vassoura como símbolo para varrer a corrupção no Brasil. Mais um canto de sereia sobre combate a corrupção, vai vendo... E se não conseguiram dar o golpe neste ano, devemos à “campanha da legalidade”, desencadeada por Leonel Brizola, a partir do Palácio Piratininga, sede do Governo do Rio Grande Sul.

Grande Brizola!

Emas não demorou muito até    que em 1964 o mundo desabou para os progressistas e democratas aqui no Brasil. A partir daí o pau comeu. Foram milhares de pessoas presas, torturadas e mortas. Muitos artistas, intelectuais e cientistas foram morar no exterior por falta de condições de sobreviver no país, quanto mais trabalhar, produzir ciência e criar arte. Impossível!

E não foi só aqui no Brasil, não. Esses movimentos sempre têm características mundiais. E evoluem como ondas. A América Latina foi tomada de ditadorezinhos de republiquetas de bananas, extremamente autoritários e violentos.

Mas à medida que o fogo ia crescendo mais a água ia fervendo. A resistência se organizava. E foi assim em todo o mundo.

Terceira lei de Newton: “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos”. Sim. Esse é um dos princípios básicos da mecânica clássica, mas coube aqui como uma luva.

O fato é que houve uma reação, quase que imediata.

Surgiram grupos armados, muitos deles inspirados nos barbudos de Sierra Maestra que tomaram Havana e toda Cuba à base de fuzil e canhão; e outros, inspirados nos cabeludos pacifistas, do “faça amor, não faça a guerra”, da contracultura dos hippies. Eram tempos também de rebeldia.

Eram tempos de luta por direitos civis, pela liberação sexual permitida pela descoberta da pílula, contra a guerra do Vietnam, contra as ditaduras militares, contra o autoritarismo e a opressão.

“Parem o mundo que eu quero descer” ...

“É proibido proibir”.

A juventude saiu às ruas para lutar, dançar, cantar. Para atirar -boom, e fazer arte, yeah, yeah, yeah.

Do lado dos cabeludos, surgem os Beatles, aqui a Jovem Guarda e, em seguida, a Tropicália, a Bossa Nova, o Clube da esquina.

Uns “chatos de galocha”, daquele tipo que fica procurando o politicamente incorreto em tudo, dizem que a Jovem Guarda era subproduto da Ditadura Militar. Era nada. Eram meninas e meninos do subúrbio carioca que apesar de não assumirem um discurso formal contra ditadura e contra o sistema, como já era claro no movimento de contra cultura no mundo, traziam a estética das roupas coloridas e dos cabelos compridos, ao contrário dos jovens que criavam a Bossa Nova, um movimento musical muito mais sofisticado, surgido em apartamentos de Ipanema no do Rio de Janeiro e que depois ganhou o mundo.

E por falar em ganhar o mundo. Você já pensou aquela época estar frente a frente com os caras dos Beatles. No auge da carreira deles? Meu deus, hein! Essa dá pra tremer as pernas.

Aconteceu o seguinte. Existia em São Paulo um grupo chamado The Jordans. Os caras eram da Mooca e começaram a tocar no final da década de 50. O grupo era formado por Aladdin, (guitarra), Sival (também guitarra), Foguinho (bateria), Tony (baixo) Irupê (saxofone) e Mingo (guitarra). E les faziam muito sucesso aqui em São Paulo, até que em 1967, foram convidados a se apresentarem na Itália, com possibilidades desta tournê se estender por outros países pela Europa. Numa loja na Espanha deram de cara com um de seus discos, cuja gravadora, a Copacabana, uma das maiores da época, se não a maior, não tinha comentado nada com eles sobre o lançamento de uma de seus discos em espanhol. Certamente que o resultado dessas vendas não seria repassado para os músicos. Eles então compraram alguns desses discos para quando chegassem ao Brasil mostrarem a seus produtores e negociarem seus pagamentos.

Com muito pouca grana, chegaram em Londres com muita fome. Eram umas 4 a 5 horas da tarde, e entraram num restaurante bem simples, onde não tinha ninguém almoçando. Até que o Irupê, saxofonista, ao retornar do banheiro, comentou com seus amigos que tinha visto, em outro salão do restaurante, um cara parecido com o Ringo. Todos riram e imaginaram que deveria ser um sósia. Mas em pouco tempo, passaram por eles uns quatros caras saindo do restaurante. Os brasileiros, cada um olhou para outro e imaginaram: quatro sósias dos Beatles juntos, não é possível!

Completamente estarrecidos chegaram à conclusão de que eram realmente os Beatles.

Eles os seguiram com os olhos e os viram entrando num prédio do outro lado da rua. Ah, não pensaram duas vezes. Largaram tudo e foram atrás. Bateram na porta e foram atendidos por John Lennon, que muito solícito os convidou a entrar. John Lennon te recebendo à porta. Imagina, que inusitado!

E isso tudo está gravado. O Tony, baixista do grupo estava com uma máquina super 8 e gravou alguns poucos minutos em filme preto e branco e mudo, o que serviu como prova marcante de um dos momentos mais pitoresco do Rock e da música brasileira, momento em que o Foguinho, baterista, ensinou ao Ringo Star como tocar bossa nova!

Com um grande detalhe, os brasileiros dos Jordans foram presenteados por autógrafos de Paul McCartney, George Harrison, John Lennon e Ringo Star e estes foram retribuídos com um disco, também autografo, dos Jordans.

E como diz Aladdin, guitarrista, todo o mundo tem um disco dos Beatles em casa e os Beatles tem um disco dos Jordans!

Que década foi essa! 1960. O mundo se levantou em rebeldia, contra a guerra, a opressão e ao autoritarismo.

Enquanto a ditadura militar no Brasil aprofundava seu poder ditatorial, reagíamos com movimentos culturais e artísticos, como a Jovem Guarda, a Bossa Nova, a Tropicália e com o Clube da Esquina, todos eles tendo como referência a música e a irreverência dos Beatles.

Os cabeludos e os barbudos venceram, sejam com os fuzis ou com artes.

Viva a rebeldia. Viva a música. Viva a liberdade!

 

 

Marcio Aurelio Soares, em 09 de fevereiro de 2021