A segunda lei de Newton


 

A segunda lei de Newton

           

            Isaac Newton viveu na segunda metade do século XVII. Matemático, físico, astrônomo; é reconhecido até hoje como um dos cientistas mais influentes de todos os tempos, e como uma figura central no que foi chamado de Revolução Científica, quando na esteira do renascentismo, surgiu a ciência desatrelada à Teologia. Newton, com sua genialidade, afirmou que, “a força resultante que atua sobre um corpo é igual ao produto de sua massa pela aceleração”. O que significa dizer que quando um corpo está sujeito à ação de uma força, este adquirirá uma aceleração na mesma direção e no mesmo sentido da força resultante. Lembrei disso ao cruzar a rua em que moro e ver três rapazes empurrando um carro que se encontrava parado enguiçado. Já pensaram se cada um deles empurrasse o carro em direções diferentes? Certamente o carro não teria saído do lugar. Quem sabe estivesse em pedaços, face suas condições de uso e manutenção! Coisa de desenho animado!

            Este conceito ajudou a humanidade a chegar aonde estamos.  Sua formulação não surgiu de um sonho na madrugada, mas decorrente de observações feitas anteriormente por Aristóteles sobre a movimentação dos corpos e de Galileu Galilei sobre a inércia.

            O Materialismo Histórico é um método de estudo da sociedade. Elaborado, inicialmente,  por Karl Marx e Friedrich Engels no século XIX, “procura as causas de desenvolvimento e mudanças na sociedade humana nos meios pelos quais os seres humanos produzem coletivamente as necessidade da vida”. Esta é uma concepção social filosófica, que diz ser o modo de produção econômico o fator determinante para o desenvolvimento histórico e sociocultural de uma sociedade. Para este pensamento, o modo de produção capitalista se define na relação da infraestrutura – trabalho e relações comerciais -, com a superestrutura – ideologia: governos, leis, costumes e tradições; onde a primeira é determinada pela segunda.

            Duas formulações, física e socioeconômica, que nos trazem a beleza da evolução científica, do estudo e do conhecimento. E do prazer de estudar. Você pode até discordar  delas mas vai ter que apresentar justificativas muito fortes para tanto, e demonstrá-las experimentalmente, de forma que sua ideia possa ser reproduzida. O segundo passo é vê-la aprovada pelo mundo acadêmico e tê-la publicado em revistas científicas. O fim, sua consagração com a nomeação ao Prêmio Nobel! Como podem ver, nada muito complicado. Mas, como somos “normais”, nos resta entender a ciência e aplicá-la em nossa vida. Algumas vezes fazemos isso intuitivamente, como os rapazes solidários ao proprietário do “fusca” enguiçado. Em outras vezes, poderemos ser ajudados pela conhecimento científico acumulado pela humanidade até agora. O certo é que em nosso meio, a grande maioria não tem acesso às informações como poderiam e deveriam ter. “A informação, a cultura, o estudo, valem ouro”, dizia, insistentemente, meu pai, E eu que o achava um chato!

            Muitos não sabem, mas a política também é uma ciência; para uns até uma arte. Relacionada ao entendimento entre pessoas com vista a organização, direção e administração da vida em comunidade em uma democracia. Esse termo surgiu na Grécia Antiga, aproximadamente no século VI a.c. Os filósofos gregos entendiam o seu exercício como a principal característica do homem livre. Para eles, a política tinha como objetivo a justiça comum a todos.

            Para nós também. Física, sociologia, economia e política são resultados de estudos e experimentações. Tentemos fazer isso, o máximo que pudermos. Assim poderemos, por algum aspecto, voltar aos tempos da Grécia Antiga e construir uma “vida melhor e mais virtuosa”, como diziam; e, com menos “memes”, fanatismos e idolatria de alguns poucos incultos, insipientes, que insistem em se passar por maioria.        Façamos como Newton. Concentremos nossas energias em uma mesma direção. Nosso país precisa acreditar em si próprio, com toda a sua diversidade cultural e seus recursos naturais. Nosso desenvolvimento não cairá do céu ou virá de fora. Está aqui dentro. Temos um projeto de nação, trabalhista – desenvolvimentista. Juntos, com força, aceleraremos nosso trem, formado por uma grande locomotiva e muitos, muitos, vagões, que é isso que somos.

25 de maio de 2021

Marcio Aurelio Soares

O DEVER DE ESPERANÇAR

 




Sou um conversador no estrito significado da palavra. Conversar é estabelecer diálogos e exige três condições básicas que são a mensagem, o emissor e o receptor; e num movimento de “ping-pong”. Não fosse essa troca, seria um monólogo. Não é difícil encontrar pessoas que têm um desses papeis mais acentuados do que os outros. Aquele que fala mais e pouco escuta é o mais famoso. Esse “fala pelos cotovelos”, expressão antiga que nos ajuda a entender o perfil daqueles que falam muito e gesticulando, com os braços, mãos e… cotovelos.

Conversar é um excelente exercício para entender o outro, o receptor; e para nos fazer entendido, o emissor. Por isso gosto de escrever “conversando”, pois me dá a nítida impressão de que quem está lendo meus escritos está me ouvindo e escrevo porque os ouço.

PARA ALÉM DO CERTO E DO ERRADO

Cada dia tenho uma escuta nova. Uns aliviados como se o “corona” já não estivesse mais entre nós e fosse coisa do passado. Que intimidade horrível com esse que é nosso algoz e nem vida própria tem! Estamos cansados, só falam disso, o tempo todo. Temos que trabalhar. Como poderei me sustentar sem sair de casa? Usando máscara, como grande parte da população, a maioria se pergunta, como nos aglomerar, ir a festas, se estamos em plena pandemia?

É preciso ouvi-los com muita atenção. Cada um de nós tem suas necessidades e expectativas. O certo e errado está longe de ser o que é certo ou errado para todos. Nunca tínhamos vivido coisa parecida. Estamos aprendendo a ser e ter uma nova vida, talvez menos latina, com menos abraços e beijos, e mais cotovelos para falar.

As vivências presenciais estão restritas e a internet faz parte de nosso dia. As “lives” se reproduzem, os “memes” nos encaram a todo momento, vindos de uma telinha que passa o dia em nossas mãos. “lives” e “memes” são termos que há pouco desconhecíamos e nos distanciam de nossa linguagem nativa, corroendo devagarinho nossa identidade. As mensagens são imitadas e num fluxo digital “viralizam-se” e nos atingem sem percebermos, como um vírus de verdade.

UM NOVO TEMPO, UMA NOVA LUTA

Verdades, mentiras. Certo, errado. São tempos de convicção por imitação. São tempos de manchetes e pouco conteúdo. É preciso conversar. Ouvir e falar. E estudar. Compreender que as mensagens exigem interlocutores mais perspicazes e atentos. E o silêncio ser interpretado como uma fala muda. De culpa? Observação? Dizia o grande líder político Leonel de Moura Brizola:

“Eu não uso a palavra para esconder, mas para revelar meus pensamentos”.

E hoje, sinto que precisamos, para além da política de poder, falar de esperança. Mas não só da esperança do sonho, de nossa fé, mas também da força para alcançar, de nos fazer resilientes. São tempos de luta. O obscurantismo não vencerá a civilização. O autoritarismo não vencerá a democracia e a liberdade. É preciso esperançar!

Barriguinha de chopp. Os humanos que se transformaram em 'bumbípede'






Para saber se sua barriguinha passou dos limites, temos um boa ferramenta, a fita métrica.

Não faz muito tempo na história da evolução de nossa espécie, que homens, para sobreviver, saiam para caçar e pescar, o que lhes exigia grande mobilidade e força muscular. Mas isso faz parte de um passado. Hoje “caçamos” e “pescamos” nossa sobrevivência no computador. E, nem tanto mais neste que já foi um equipamento que ocupava um andar inteiro de um prédio, mas sim, no telemovel, o que nós brasileiros chamamos de celular. Dizem os técnicos que esse termo usado por aqui está errado, porque o telefone não é celular, mas sim o tipo de rede utilizado por ele. Isto é uma metonímia. Foi criada uma substituição lógica de um termo por outro. Como sou de família portuguesa dos Açores, uso o ZapZap no telemovel. 


Foi essa tecnologia, em especial, que nos transformou em “bumbípedes”. O mundo digital é preguiçoso, nos remete à cadeira, ao sofá e até à cama. Em pouco tempo não precisaremos mais, se quer, pedir pizza e recebê-la à porta. Bastará um toque na telinha e o jantar estará posto à mesa. A tecnologia 4G permite essa precisão o que nos fará ficar, cada vez mais, com o traseiro sentado.


Sem atividade física natural ou provocada, surge a barriguinha. E o que para uns era um charme hoje sabemos que é um risco para a saúde. Esse volume extra no abdome é sinal da presença de gordura visceral, tecido adiposo que se acumula nas vísceras e entre elas. Fígado, pâncreas, intestinos, ficam todos gordinhos. Ou você acha que engordamos só para fora? Antes fosse só uma questão estética. Dependendo da quantidade, essa gordura em excesso pode se transformar em doença, pois geram inflamação no organismo e interferem na regulação de certos hormônios, na absorção de nutrientes, no nível de colesterol e mesmo na fertilidade. Essa interação nociva está estreitamente ligada ao aumento no risco de doenças cardiovasculares, como infarte e AVC – derrame, pressão alta, diabetes tipo 2; o que nós médicos chamamos de síndrome metabólica. As estatísticas mostram que neste caso a mortalidade por doença cardiovascular aumenta em até três vezes. Acabou o charme!

 

Para saber se sua barriguinha passou dos limites, temos um boa ferramenta, a fita métrica. Se sua circunferência abdominal estiver maior que 102 cm para os homens e 88 cm para as mulheres, você não tem opção. Tire o tênis da sapateira, a bicicleta da garagem e vá se mexer. Esqueça o celular, digo, o telemovel na gaveta por uns instantes e vá pedalar. Como dizia meu pai, desopila o fígado, faz bem à mente e ao corpo. 


Feito isso, e com o colesterol e a glicemia em dia, que tal uma cervejinha e um bom papo? Porque ninguém é de ferro. Uma geladinha e comodidades na medida certa não fazem mal a ninguém.

Coronavirus Voador








Coronavírus voador

Enquanto o País enfrenta a pior crise sanitária da história, e com o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, aproveitando cenário, segundo ele, o ideal para ir "passando a boiada de desregulamentações", um mosquitinho menor do que os outros, de cor preta com listras brancas no tronco e um ruído praticamente inaudível, está fazendo a festa na Baixada Santista: o Aedes aegypti.
A dengue já infectou 6 mil pessoas na Baixada Santista nos quatro primeiros meses desse ano, contra pouco mais de 1,5 mil no mesmo período de 2020. Não bastando isso, o Aedes transmitiu Chikungunya para mais de 1,8 mil pessoas em 2021, 180 vezes mais do que o primeiro quadrimestre do ano passado. Todos os sinais vermelhos estão acessos e mostram que alguém deixou as medidas preventivas de lado.
O Poder Público deve ter pensado que as doenças provocadas pelo mosquito dariam uma trégua em época de Covid-19 e, agora, corre para colocar o cadeado no portão arrebentado. Priorizou o combate ao coronavírus e esqueceu que as pessoas com as cabeças voltadas à pandemia, em distanciamento social, com máscaras na face, álcool em gel nas mãos e distanciamento social iam esquecer o devastador mosquito transmissor.  
É inegável que as pessoas reclusas em sua grande maioria relaxaram com a limpeza das calhas e vasos de plantas nos quintais de suas casa. Mas é verdade também que limpeza de terrenos baldios, inspeção em residências abandonadas e mato nas ruas ficou em segundo plano. Qualquer um podia constatar. O Aedes aegypti segue desafiando a ciência e matando gente nos países mais pobres. 
As prefeituras apelam para as nebulizações, os famosos fumacês. Utilizam um inseticida chamado malathion, que é repassado pelo Governo Federal ao Estado e estes aos municípios. É uma alternativa que vai além de um palmo do nariz em termo de eficácia e eficiência, ou seja, não resolve o problema nem a curto e nem a médio prazos, e, como se não bastasse isso, oferece riscos às pessoas e animais domésticos.
Não existe milagre. Como combater um mosquito que deposita seus ovos capazes de resistir a longos períodos de baixa umidade, podendo ficar até 450 dias no seco esperando um pouco de água limpa para nascer, sem ser acabando com os criadouros? Existem relatos de ovos do Aedes até em cascas de ovos de galinhas jogadas no lixo. O inseto se contamina a partir do momento que pica um pessoa já infectada. Em seguida, a fêmea, picando um indivíduo são, o infecta e, assim, vai se fechando o ciclo vicioso.
Com a evolução da medicina e ciências afins, o mundo desenvolvido acabou com a tuberculose, com a hanseníase, com a catapora, o sarampo, a poliomielite, a difteria, a rubéola, e tantas outras doenças. Mas em todos esses casos, nós não dependemos só da ciência médica. Consciência e determinação foram fundamentais. Investimento público em educação e saúde e cuidado no trato de políticas públicas urbanas, são essenciais para galgar um patamar melhor de qualidade de vida que esperamos.

Marcoo Airelio Sosres , medico  ex-candidato a prefeito de Santos pelo PDT.

















Misticismo ou Ciência

Edward A. "Doc" Rogers/Oakland Public Library

Durante a Gripe Espanhola surgiram tratamentos considerados "infalíveis".

Segundo os cientistas, a espécie humana teria surgido há uns 350 mil anos no leste da África. O Homo sapiens, como ficou sendo chamado o que é o homem moderno de hoje, é o resultado de uma longa evolução biológica e social que se espalhou pelo Mediterrâneo, depois para a Ásia, até alcançar as Américas, o que aconteceu há, aproximadamente, 50 mil anos.


A ciência teve origem na Grécia. Foram os gregos os primeiros a iniciarem as práticas científicas. O que existia antes era o conhecimento de um pequeno número de fatos, que sob um olhar, via de regra, místico, era privilégio de uns poucos. Apesar dos gregos terem o reconhecimento desse mérito, ao proclamarem a liberdade da investigação intelectual, essa ainda era uma ciência especulativa e sem objetividade e que só veio a tomar um sentido prático por conta dos romanos, aí sim, quando o homem começou a compreender as possibilidades de domínio da natureza, da interpretação dos fenômenos naturais , da organização de leis e criação de condições que lhes facilitassem a vida. Tudo passou a acontecer muito rápido, o que fez com se reduzisse o tradicionalismo místico e ampliada a interpretação objetiva dos fenômenos.


Mas foi no início do século XVI com a ciência moderna, é que se conseguiu articular o método de observação e experimentação ao uso de instrumentos técnicos, principalmente com a invenção do microscópio e do telescópio. Era o ápice de uma época que se definiu como o Renascentismo. Era o final do feudalismo e início do capitalismo. Aqui vale um parêntese. Se tiverem a oportunidade, visitem a Itália, a capital renascentista, e conheçam, especialmente, Florença e Pádua. 


Juntando os parágrafos. O homem moderno surge há 50 mil anos e a ciência moderna há uns 500 anos. Se imaginarmos esses 50 mil anos representados em um dia, portanto, em 1440 minutos; à ciência corresponderia 14 minutos e meio, tempo suficiente para duplicar a expectativa de vida de nossa espécie. À ciência e aos cientistas, nossa reverência pelo desenvolvimento tecnológico e pelos ganhos de novos saberes em evolução permanente. 


Em uma dessas viagens, chegando a Paris, deixei as malas no hotel e, rapidamente, andei alguns quarteirões para encontrar o Instituto Pasteur; um prédio majestoso em estilo neoclássico, que é a representação viva da vitória da ciência sobre a doença. Logo à frente, em sua alameda principal, está instalada a escultura de nome “a mordida”: o menino Joseph Meister sendo mordido em 1885 por um cão rábico. Uma homenagem ao primeiro caso de cura da hidrofobia. Sob a liderança de Pasteur, na “cidade luz”, vencemos a raiva, a difteria, o tétano, a tuberculose, a poliomielite, a gripe, a febre amarela e a peste bubônica.


No século passado, no final de setembro de 1918, passageiros desembarcando de um navio britânico vindo de Lisboa, trouxeram a doença que se passou a chamar gripe espanhola (que ao contrário do que pensamos, surgiu na Filadélfia, nos Estados Unidos). De acordo com os historiadores, as autoridades brasileiras da época demoraram a agir: medidas de prevenção e de distanciamento social só foram tomadas quando a pandemia já acometera grande parte da população. Pesquisas da Fiocruz indicam que entre outubro e novembro de 1918, 65% da dos brasileiros contraíram a doença. Só no Rio de Janeiro foram 14 mil óbitos. Dentre as pessoas que adoeceram estava Rodrigues Alves, que chegou a ser eleito do presidente do Brasil mas morreu antes de sua posse. Sem vacina, surgiram os tratamentos considerados “infalíveis” e para nós hoje os mais estranhos possíveis. “Pitadas de tabaco, balas de ervas e tônicos; alfazema queimada ou incenso para “limpar o ar” e, até, a ingestão de sal de quinino, antigo remédio usado para o tratamento da malária, que, sem qualquer comprovação de sua eficácia, sumiu das prateleiras.


Tem-se notícia que, em 1919, uma CPI no Senado foi instaurada por conta dos desmandos presidenciais, mas se passaram pouco mais de cem anos e os recursos, decursos e agravos de instrumentos solicitados por sua defesa ao Tribunal Superior de Justiça ainda não permitiu que os “órgãos colegiados” chegassem a uma conclusão sobre o caso. Mas, apesar das centenas de testemunhas ouvidas e milhares de óbitos documentados os prazos processuais estão correndo e as autoridades afirmam esperar concluí-lo, no máximo, até 2090.


Nota: Este último parágrafo naturalmente, não é verdadeiro; foi uma ironia. Mas os anteriores, acreditem ou não, correspondem aos fatos.

 

 

 


A Saúde em Nossas Mãos.

"É importante estarmos aqui debatendo e informando sobre nosso bem maior, a saúde".

Inaugurando essa coluna, quero agradecer ao Jornal da Orla pelo espaço e dizer do quanto é importante estarmos aqui debatendo e informando sobre nosso bem maior, a saúde. Interessante é que quando nos referimos à saúde lembramos imediatamente de alguma doença; e, nesse momento, nos vem à mente imediatamente, a Covid-19, e com razão.

Lembramos de doenças porque seu conhecimento, sua evolução clínica natural, as formas como as contraímos e nos curamos, são fundamentais também para a sua prevenção. 

Nesse caso, e sempre, a informação é poder. Um povo informado e culto certamente será um povo mais saudável. Cumpro, portanto, neste espaço a missão de trazer informação, sob todos os pontos de vistas, de forma a nos ajudar a enfrentar essa que é uma condição inexorável da vida, a doença e a morte, mas que nós humanos lutamos tanto em busca de seu reverso, a saúde e a infinitude.

Temos evoluído bem no quesito sobrevida média de nossa espécie. Nas últimas décadas, a expectativa de vida aumentou significativamente em todo o mundo. Quem nascesse em 1960, poderia esperar viver até os 52 anos de idade. Hoje, a média é de 71 anos – informação da ONU – Organização das Nações Unidas. Com extremos positivos, como a expectativa de vida feminina no Japão de 90 anos, estando os países desenvolvidos com a expectativa geral em torno dos 80 anos

O salto no Brasil foi ainda maior. Nas últimas cinco décadas, nossa expectativa de vida ao nascer pulou de 48 para os atuais 75,5 anos. E vejam que dado importante. A sobrevida de um sexagenário no Brasil hoje é de 22,3 anos, ou seja, uma expectativa média de viver até 82 anos.

Opa, vocês vão ter que me aturar! Vai dizer aquele coroa, tiozão do churrasco, com quem sempre nos identificamos por nos vermos nessa personagem tão leve que é a expressão de nós mesmos.

Não é difícil fazer um exercício aqui para entendermos essas realidades diferentes e, num olhar rápido, díspares, até. 

A expectativa de vida é resultante de condições de vida socialmente melhores ou piores e mais ou menos protegidas devido aos avanços tecnológicos que impactam na produção, distribuição e uso e consumo de equipamentos médicos para diagnóstico (ecocardiograma, por exemplo) e para a manutenção da vida (respirador mecânico, um outro exemplo); insumos e medicamentos; e, profissionais treinados e qualificados cuidar de nossa saúde.

A diferença está que somos um País muito desigual e violento. Nossa principal causa de morte entre cinco e 50 anos é a violência; e acima dos 50 anos, as doenças crônico degenerativas (infarto, derrame, diabetes, câncer etc). “Matamos” mais nossos jovens, no trânsito, com armas de fogo, em afogamentos, ao mesmo tempo que avançamos na oferta de serviços de saúde, particularmente, por termos criado o maior sistema público de saúde do mundo, universal, integral e para todos.

Fortalecer a presença do Estado nas periferias, de modo que se intensifique a atenção aos nossos jovens, com maior oferta de serviços sociais, como esporte, cultura, formação profissional, lazer e educação de qualidade, que ensine mais a perguntar do que a responder, associado a ações públicas que garantam maior investimento na saúde pública, esses são os caminhos para preservação da vida, com melhora de sua expectativa e maior qualidade em seu viver. 

"Brasil precisa de mais 10 milhões de funcionários públicos", diz dirigente sindical

 


Sabe aquela conversa que o Brasil tem funcionários públicos demais? Trata-se papo furado. De acordo com o presidente da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), João Domingos Gomes dos Santos, o País precisa de mais 10 milhões de servidores para atender a demanda existente. 

Santos afirmou em uma "live" realizada pelo Sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos. Ele lembrou ainda que esse número está abaixo da média mundial. 

Nos países desenvolvidos ou em desenvolvimento, a média de servidores pelo total da população é de 22%, sendo que no Brasil ela é de 2%, ou seja, uma das menores administrações públicas do Planeta. 

De acordo com o dirigente sindical, a média de trabalhadores diretos e indiretos no serviço público brasileiro é inferior a 4%. Na América do Sul, a média é de 7,5%. No Chile e Argentina, acima de 9%.

"Para realizar o sonho de integrar a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, conhecida por ‘clube dos ricos’, fundada em 1961, temos que expandir a administração pública", disse Santos.


ANVISA libera tratamento precoce para Covid 19

 


A prescrição médica na berlinda

 

Uma falsa berlinda. Uma falsa polêmica. Resultado de banalização de uma polarização política que só interessa a seu protagonista.

De qualquer forma, o tratamento médico para a Covid-19 está no banco dos réus. E também na boca do povo.  O Ministério Público Federal de São Paulo (MPF/SP) já oficiou três vezes o Conselho Federal de Medicina (CFM)  questionando se o órgão, diante de tantas novas evidências científicas, pretendia rever o PARECER Nº 4/2020, de 16 de abril de 2020 que considera a indicação do uso de Cloroquina/Hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 em casos leves e até graves, desde que em decisão compartilhada com o paciente e sendo este, obrigatoriamente,  informado sobre a inexistência, até aquele momento, de trabalho científico que comprove o benefício do uso da droga para o seu tratamento.

 

Até o momento o CFM não respondeu, se limitou apenas a emitir uma nota, em janeiro deste ano,  afirmando que a “ciência ainda não concluiu de maneira definitiva se existe algum benefício ou não com o uso desses fármacos...e que o órgão, não apoia nem condena o tratamento precoce ou qualquer outro cuidado farmacológico”. Por outro lado, a Associação Médica Brasileira, recentemente, publicou em seu site um comunicado subscrito por mais de uma dezena de sociedades científicas, afirmando que “o uso de Cloroquina e outros remédios sem eficácia contra Covid-19 devem ser banidos (do receituário médico)”.

 

O fato é que até o momento, nada sabemos sobre tratamento específico para esta virose que abate todo o Planeta. Durante a "Peste Negra" - nome dado à Peste Bubônica-  que se estima que tenham morrido de 30 a 60% da população europeia, os médicos recorriam a diversos “tratamentos”, o mais recorrente deles era esfregar cebolas ou carne de cobra nos furúnculos que apareciam na pele. No início do século passado, foi a vez da gripe espanhola, e não faltaram terapias milagrosas; as mais famosas foram as que juntavam formol, canela e flores de jasmim amarelo; uma tentativa desesperada que não impediu que milhões de pessoas morressem em todo o mundo.

 

Os tempos são outros. São de sistematização da ciência e da criação de protocolos terapêuticos. Os vírus só começaram a poder ser vistos com a ajuda de um microscópio eletrônico em 1932 e antes disso, acreditava-se na teoria miasmática, em que as doenças eram transmitidas por eflúvios advindos de odores fétidos provenientes de matéria orgânica em decomposição. Essa teoria explica a arquitetura de muitas casas presentes em nosso cenário até hoje construídas com porão. Os tempos atuais também são os de Deontologia e Ética Médicas, partes da Medicina Legal que se ocupam de normas a que o médico está sujeito no exercício da profissão, e, nesse contexto a “autonomia médica (na prescrição de medicamentos)”.

 

O fato é que com cebola, flores ou miasmas, cloroquina ou ivermectina, respeitados cada um sua época, nós temos outro componente mais grave que é a polarização de opiniões. O debate não está em se devemos, ou temos que realizar o tratamento precoce mesmo sem evidências científicas definitivas. A questão é, se esse chamado “kit covid” previne, cura ou trata? A resposta é que só existem dois tipos de condutas preventivas, o isolamento social e a vacina. Que não existe cura para a Covid-19 por meio de medicamentos - A doença tem sua evolução natural que depende das condições clínicas de quem a contraiu (capacidade de resposta) e da carga viral inalada. E que o tratamento é indicado conforme surgem as complicações, podendo serem elas mais ou menos graves.

 

No mais, o resto é balela de quem quer dar reposta política rasteira e não tem interesse e capacidade para liderar uma nação em busca de resultados para esta praga sanitária e econômica, e quer se manter no poder à custa do caos.

Em tempo, a ANVISA – Agência de Vigilância sanitária acaba de emitir autorização temporária do uso emergencial do coquetel REGEN- COV2 no tratamento de pacientes com a covid 19. Liberado em caráter experimental, o tratamento reúne os medicamentos casirivimabe e imdevimabe  e é destinados a casos leves e moderados com resultado positivo em laboratório para o novo coronavírus e que possuem alto risco de progredir para formas graves da doença. Aprovado recentemente pela FDA – Food and Drog Administracion, o tratamento foi submetido a testes clínicos com 1505 pessoas com idade média de 44 anos, ficando comprovado, por enquanto a redução de riscos em 81%.

 

 

Marcio Aurelio Soares, em 19 de abril de 2021

19 de Abril- Nascimento de Getúlio Vargas, a grande liderança.

19 de Abril- Nascimento de Getúlio Vargas, a grande liderança.


As inúmeras análises, críticas e conjecturas, que ao longo dos anos, fizeram a Getúlio Vargas seguem o paradoxo insofismável das paixões de uma figura que dividiu as narrativas que mudaram os paradigmas do Brasil.
Neste contexto observamos que à luz da História dificilmente conseguimos olhar para Getúlio com a tranquilidade que a análise merece. O despertar dos ardores e a sua visão diferenciada continuam, até hoje, a influenciar a política e os rumos da nação.
Com início na década de 1930, Vargas, o construtor do Estado brasileiro com seu tripé ideológico e suas raízes profundas: soberania nacional, direitos sociais e desenvolvimento econômico, hoje, provocam um despertar de ódio da nossa classe dominante com mentalidade colonizada, e a tentativa de desmonte das conquistas  aos longos destes 90 anos. 
Desde seu suicídio em 1954 – ato extremo e único na História mundial – como manifestação de  desprendimento e de amor à Pátria, somado às denúncias e manobras das aves de rapina que não admitiam e não admitem nossa autonomia enquanto povo e enquanto nação, Getúlio Vargas continua no centro das disputas políticas, seja no seu legado com o avanço na conquista dos direitos sociais, seja na industrialização e no desenvolvimento nacional projetados e implantados por Getúlio, seja nos resquícios restantes de nossa soberania, todos eles têm a marca indelével da Era Vargas.
Em meio as paixões e clichês há uma constatação inconteste sobre Vargas que os mais raivosos adversários,  mais infecundos analistas concordam: sua liderança nata é aquela que marca, arrasta e perpetua. 
67 anos após sua morte, nenhum Chefe de Estado, superou ou se aproximou desta liderança e deste magnetismo que ainda hoje, permeia o Varguismo. Crescente ao longo do tempo não há como não ponderarmos que a cada período histórico, Getúlio se torna maior, mais atual e mais necessário.
Ao analisarmos o último período histórico, desde a nossa redemocratização, onde o combate a Era Vargas pautou e pauta a política brasileira, seja para o bem ou para o mal, fato é que Vargas sempre esteve presente nos principais debates nacionais. 
Desde Vargas nenhum outro presidente conseguiu dividir a História e se aproximou do gigantismo de sua obra de desenvolvimento nacional e direitos sociais deixados. Nenhum deles possuiu a autoridade que Vargas tinha. Autoridade moral, este talvez seja um dos legados mais condignos à figura de Vargas: a autoridade inconteste, indubitável e indiscutível  que emanava e que fizera dele uma liderança conduzidora e mobilizadora em defesa da construção de uma nacionalidade e de uma era profundamente revolucionária e emancipadora para nosso povo. Quiçá, hoje, seja este um dos principais males de nossa política: a ausência de autoridade moral e, consequentemente, de lideranças que unifiquem, que arrastem e que projetem novas Eras de progresso e de desenvolvimento.
Afinal, liderança como Vargas ainda não conhecemos. 
Manoel Dias 
Presidente da FLB-AP ( Fundação Leonel Brizola - Alberto Pasqualini)
Secretário-Geral do PDT


 

Hoje é dia de prova


 Hoje é dia de prova

            “Guardem os livros, nada de celular na mão. E não quero ouvir mais conversas entre vocês. Quem eu pegar colando, vai ganhar um zero!”

Começa assim mais um dia de aula da Turma 2B do ensino médio após mais de um ano de suspensão das atividades escolares devido à pandemia.

          E hoje já é dia de prova!

Marque um (X) na questão correta atribuindo autoria a cada frase:

1.     “Acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder”.

2.     “A única solução é dar um tiro no coco”. (Quando perguntado sobre o que faria se recebesse um salário mínimo).

3.     “Certamente o embaixador russo recebeu a notícia. Certamente mandou para o presidente Putin. E certamente o Putin ficou meio ‘putin’ com o Brasil”.

4.     “Moro que mande me prender, recebo sua turma na bala.“

5.     “Eu tenho aquilo roxo!“

6.     “O erro da ditadura foi torturar e não matar” 

                                                                                                                   

1ª Questão: Assinale a alternativa correta

a)     Lula, Ciro, Collor, Getúlio Vargas, Bolsonaro, Dilma

b)     Ciro, Collor, Getúlio Vargas, Bolsonaro, Dilma, lula

c)     General Figueiredo, Dilma, Lula, Ciro, Collor, Bolsonaro

d)     Dilma, General Figueiredo, Lula, Ciro, Collor, Bolsonaro

e)     Collor, Ciro, General Figueiredo, Dilma, Bolsonaro, Lula

 

 

1.     Como vou fazer para saber se as pessoas estão de calcinha preta, verde, vermelha ou sem calcinha?

2.     “Não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta, mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta”

3.     “O salário mínimo nunca será ideal porque ele é mínimo”.

4.     “Eu fui num quilombo em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles”.

5.     “Minha esperança é que essa pandemia ajude a maioria da humanidade a descobrir que já estávamos vivendo numa grande tragédia mais profunda: a da cultura do consumismo irracional misturada com o neoliberalismo criador  da superdesigualdade”

6.     “Minha gente! Não me deixem só! Eu preciso de vocês.”



2ª Questão: Assinale a alternativa correta

a)  Itamar Franco, Ciro Gomes, Bolsonaro, Lula, Dilma, Collor

b)  Collor, Ciro Gomes, Lula, Bolsonaro, Itamar Franco, Dilma

c)   Itamar Franco, Dilma, Lula, Bolsonaro, Ciro Gomes, Collor

d)  Lula, Bolsonaro, Collor, Itamar Franco, Dilma, Ciro Gomes

e)  Dilma, Ciro Gomes, Itamar Franco, Collor, Lula, Bolsonaro

 

Obs: Consulte as respostas no rodapé.

·        Se você acertou as duas questões é porque está preparado para continuar a estudar o Plano Nacional de Desenvolvimento.

·        Em caso de 50% de acerto de acerto, você está com meio caminho andado e deve continuar seus estudos a fim de compreender melhor o Plano Nacional de Desenvolvimento.

·        Mas se você não acertou nenhuma das questões, não se desespere, as eleições presidenciais ocorrerão somente em 02 de outubro de 2022. Até lá você terá tempo de compreender o Plano Nacional de Desenvolvimento e votar no candidato certo.

 

Marcio Aurelio Soares, em 15 abril de 2021



 

 

Caixa de Texto: Alternativas corretas: 1ª Questão: Letra (D) – 2ª Questão: letra C 

 

 

 

 

 

Chega de sufixos: PNI não alcança negros e pardos

 



Chega de sufixos: PNI não alcança negros e pardos

Por Marcio Aurelio Soares

De acordo com dados oficiais, 56% de nossa população se declara negra ou parda – terminologias utilizadas pelo IBGE. Entretanto, somente 19% dos vacinados são negros ou pardos. Essa conta não fecha. E por que não? Os critérios impostos pelo PNI-Covid 19 – Plano Nacional de Imunização se dão pela atividade profissional e idade, mas a expectativa de vida de negros e pardos é menor.

UMA MAIORIA INVISÍVEL

Em 2011, o Relatório Anual das Desigualdades Sociais, do Núcleo de Estudos da População, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), indicou que negros viviam em média 67 anos. Em 2018, o IBGE estimou que brancos viviam, em média, 76,6 anos. Apesar de não serem dados recentes, ainda há diferença de expectativa de vida, e bastante significativa.

Quantos profissionais de saúde são negros? Empiricamente, podemos facilmente chegar a uma conclusão. Basta entrar num hospital.

Essa diferença de sobrevida média entre negros e brancos está ligada basicamente a fatores como a desigualdade racial e a qualidade de vida, impactada pela cultura escravocrata que ainda nos impregna e reflete social e economicamente de forma nessa população.

Nessa linha de invisibilidade social, estão os indígenas, a população carcerária, trabalhadores da limpeza de hospitais e aqueles que fazem a manutenção predial em unidades de saúde. Os motoristas de transportes públicos – ônibus, especialmente; e os trabalhadores do porto, que têm contato com tripulantes estrangeiros, passíveis, portanto, de serem infectados.

Mas “eles” esqueceram também das professoras e professores. E insistem em abrir as escolas!

Quanta incongruência! Quem construiu esse PNI – Covid? Algum Lorde inglês? Ou foi copiado de um plano elaborado numa cidadezinha do norte da Suécia, da Dinamarca ou da Noruega?

PELA ERA DO “EIRO”: PRECISAMOS DE POLÍTICAS QUE PRIORIZEM OS MAIS SUSCETÍVEIS

Passou da hora de deixarmos de lado os “ismos”. Bolsonarismo, lulismo, fascismo, comunismo, e tantos outros.
Temos que entrar na era do “eiro”, de brasileiro.

Batendo o martelo, chamemos os “istas”, cientistas, epidemiologistas, sanitaristas, infectologistas. E os economistas. Concluiremos sobre as melhores condutas e orientações.

“Istas”- “ismos” serão “eiros” e, como tal, concederão auxílio emergencial urgente e do tamanho necessário à sobrevivência de grande parte da população; determinarão o isolamento social, o uso de álcool em gel; e, assim, como o restante do mundo, farão todos os esforços para imunizar a todas e todos até o final do ano. Cujo plano de vacinação dará prioridade aos mais frágeis, mais expostos e mais empobrecidos.

Feito isso, voltaremos aos sufixos; será a hora dos sofismas. Terão chegado as eleições.

Antes disso, temos uma grande luta: Impeachment já!

Berimbau

 


BERIMBAU

 

Que fomos um país escravocrata, que mais escravizou gente e por mais tempo, ninguém tem dúvida. Mas que continuamos a ser um país escravocrata, em sua forma moderna, disfarçada por leis criadas por poucos e, portanto, em privilégio desses poucos, alguns resistem ainda a admitir.

Basta visitar as cadeias e os presídios brasileiros, ou ainda, visitar as periferias de nossas cidades, locais onde o poder público passou de passagem e não deixou rastro, onde a maioria de nossa população vive com pouco ou quase nenhum acesso a educação e a saúde de qualidades, quanto mais de esporte, cultura e lazer.

Tudo bem. Você não quer visitar presídios. Eu entendo. Realmente é uma experiência muito desagradável. Como médico, já fui em alguns deles, e, confesso, foi horrível testemunhar a existência de seres humanos em situações tão degradantes.

Então visite a página eletrônica do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Os números não metem. 51% de nossa população é formada por pretos e pardos. Os nossos negros!

Em 350 anos de escravidão explícita, foram quase 5 milhões de negros, vindos especialmente de Angola, comercializados em praça pública e levados para trabalhos forçados nos campos de cultura da cana de açúcar e café. Nenhum outro lugar do mundo recebeu tantos escravos!

Mas os humanos nasceram para serem livres, por isso, escravizados resistiram e continuam a resistir.

Resistiram fugindo dos engenhos, das fazendas e das minas. Formando comunidades nas florestas, os quilombos, onde preservavam suas culturas e seus costumes originários.

Nesse movimento de resistência foi surgindo a capoeira, uma forma de defesa pessoal. Mas como eram proibidos de praticarem qualquer tipo de luta, a música foi utilizada como uma maneira de disfarce, fazendo com que se passasse por uma dança. E aí nós temos o berimbau ditando o ritmo e o estilo do jogo ou da dança, como queiram.

A capoeira foi considerada crime até 1937, e só então legalizada por Getúlio Vargas, quando o Mestre Bimba abre sua primeira academia, o Centro de Cultura Livre e Luta Regional, em Salvador – Bahia.

Daí por diante, a capoeira foi considerada “Bem Cultural” pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 2008. E, em novembro de 2014, recebe o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO – órgão da ONU – Organização das Nações Unidas.

Enquanto isso o berimbau seguia ditando ritmos e cadências. Não só na capoeira, mas desenvolvendo seus próprios caminhos, chegando ao inusitado de ser incorporado como uma das armas melódicas do rock pesado do Sepultura de Max Cavalera.

 Mas foi Naná Vasconcelos, eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana Down Beat e ganhador de oito prêmios Grammy (brasileiro com mais prêmios Grammy), e Airton Moreira, considerados dois dos maiores percussionistas do mundo, em todos os tempos, que apresentaram o berimbau para o mundo. Nessa esteira, segue a Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene, no Butantã, em São Paulo, sob a batuta do Mestre Dinho Nascimento, músico percussionista, compositor e arte educador e tantas outras e tantos outros pela Bahia, Pernambuco, Rio de janeiro e pelo Brasil a fora.

A capoeira é do mundo. O berimbau é do mundo.

A escravidão foi nossa, e continua sendo nossa. E é um sério problema que a sociedade brasileira ainda terá que resolver. E nós vamos resolver.