quarta-feira, 25 de setembro de 2019


Super Herói só na Marvel!
Marcio Aurelio Soares *
Isaac Santos **

Não acredito em messias, salvadores da pátria, ou super-heróis. Mas tem gente que sim, e clama por eles.
O fato é que vivenciamos um período de forte acirramento político, com o debate polarizado entre direita x esquerda; e, surpreendentemente, fora de época e ultrapassado, do socialismo – comunismo x capitalismo.  Dizem eles, que o socialismo não deu certo. Mas se você perguntar onde, vão dizer, como o Bolsonaro disse ontem na ONU, que no Brasil de Lula.
Na mesma ocasião, afirmou que os médicos cubanos no Brasil, agiam como guerrilheiros infiltrados pelo comunismo cubano.
         Acabou a guerra fria e eles não perceberam!
Foram tantas as mentiras e insanidades, que, de princípio achei que só poderia ter saído da boca de um louco.
Ledo engano. Seu discurso tinha, e tem, origem e destino. Origem em Stive Bennon. Ex-assessor de Donald Trump, Presidente dos EUA, que acredita, e trabalha forte para isso, no populismo de direita. Fundador do “The Moviment” – O Movimento – alinhado com os brasileiros Olavo de Carvalho, astrólogo e, autodenominado, filósofo, residente na Virgínia - EUA e Eduardo Bolsonaro, o 01, indicado por seu pai a Embaixada estados unidense. Na Europa, Bennon, está ao lado de Marine Le Pen, na França, e Matteo Salvini, na Itália, líderes da extrema direita em seus países. Também fundador do " site Breitbart, Bannon também foi conselheiro da Cambridge Analytica, consultoria acusada de fornecer dados de milhões de usuários do Facebook para influenciar as eleições presidenciais americanas de 2016. O que vamos encontrar no site que espelha suas ideias? Xenofobismo, homofobia, racismo, machismo, etc. No momento, Bannon elege a China, considerada por ele a “maior ameaça econômica e de segurança nacional que os EUA já enfrentaram”.
E, não fica por aí, este ano, Bennon anunciou a criação da “Escola de Gladiadores”, "um centro de formação religiosa filosófica, voltada ao conservadorismo populista”, cuja sede fica em um mosteiro do século 13 no topo de uma montanha na Itália, chamada de a “Academia Ocidental Judaico-Cristã” que quer atrair financiamento de doadores privados para formar jovens “gladiadores”. O que não me surpreende é que chamou o Olavo de Carvalho, cuja escolaridade, como ele mesmo declara, não passa de cinco anos, para compor seu corpo docente. Imaginem o que será isso?
Ele é louco? Não. Ele tem ideais de extrema direita, supremacista, radical, neoliberal, que, como pudemos perceber na cerimônia de abertura da ONU, tem simpatizantes.
O destino? Um público, essencialmente, de classe média conservadora nos costumes e sem conhecimento sobre suas bases econômicas neoliberais. Por criminalizarem a política e o Estado, optam pela entrega das estatais brasileiras ao estrangeiro, pois em sua visão, “é preferível isso a mantê-las nas mãos de políticos corruptos, como os PTistas presos pelo Juiz Sergio Moro”.
         Portanto, o discurso presidencial de ontem, não foi coisa de maluco ou de um desconectado. Bolsonaro, falou para seu público, que dia-a-dia se consolida como uma força política. E, tenham certeza, não foi escrito por ele, que não teria a capacidade de ser tão torpe como foi, de tão desprezível que é.

*Médico Sanitarista e do Trabalho, Presidente do Movimento Cultural Darcy Ribeiro – MCDR-PDT, em Santos.
* Estudante de Pedagogia, Presidente da JS-PDT Santos.


quinta-feira, 19 de setembro de 2019


Você é massa de manobra?

         Quem nunca ouviu falar dessa expressão? Acontece quando um grupo de pessoas é manipulado por alguém ou pelos meios de comunicação - que muitos chamam de “media” (fala-se mídia em inglês), o que quer dizer a mesma coisa, meios de comunicação. Como sou brasileiro, me constranjo a usar o inglês num texto ou numa fala em nossa língua nativa. Aliás, não conheço um país tão colonizado culturalmente como o nosso. Ao sairmos na rua, é provável vermos mais cartazes e placas em inglês do que em português. Visitando outros países, mesmo aqui na América Latina, não identifico esta característica. Os argentinos então, nem se fala. São orgulhosos de sua cultura e não sofrem do que o dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, chamava de “complexo de vira-latas”, que ele definia como sendo uma inferioridade voluntária em relação ao resto do mundo, um narcisismo às avessas do brasileiro.
         É certo, afirmam os historiadores, que nossa colonização foi extrativista e escravagista. Os portugueses não estavam muito preocupados com o desenvolvimento de uma vasta terra recém-invadida. Sim, uso o termo “invadida” porque tínhamos, nessas plagas, os indígenas, estes, sim, os verdadeiros brasileiros. Ou não? Os portugueses nos descobriram sob a ótica deles, pois já existiam milhares de indivíduos vivendo por aqui e por mais que suas  características civilizatórias fossem diferentes.
                   Fomos o país que mais escravizou e por mais tempo em toda a história do ocidente. Aos nobres, o ócio e, quando muito, o trabalho intelectual. Aos negros, a força muscular utilizada em trabalhos extenuantes. E a história como é sempre contada pelos vencedores, natural que estes se imponham aos subjugados suas condições, sua cultura, sua civilização. Foi assim, e continua sendo assim.
                   Os livros escolares nos contam que conquistamos nossa independência em 1822, com um brado, à beira do Rio Ipiranga. O tal “independência ou morte”, que, desconfio, só tenha existido no quadro de Pedro América, que retratou este momento, com D Pedro I a moda napoleônica. Vai entender isso! A corte estava no Brasil desde 1808, fugida de Napoleão, viagem esta, protegida por embarcações inglesas. Ou seja, o Imperador é retratado ao estilo de seu quase conquistador. Aí começa a massa de manobra, os estrangeirismos, a colonização cultural, que perdura até hoje.
         Na verdade, D Pedro chegava de Santos em visita à sua amada Marquesa, após dias a cavalo, portanto sujo e sem tomar banho, coisa rara na época, à beira de um riacho, se transformou numa figura napoleônica, heroica, as margens do Rio Ipiranga. Entendeu o que é manobra de massa? Se naquela época foi assim, imagine agora!
         Faça, portanto, como o aviso da passagem de linha férrea: Pare, olhe e escute. Seja crítico e não aceite a primeira versão dos fatos. Essas manobras mentirosas, hoje, isso se chamam “fake news”. Aff...mais um estrangeirismo!