Dengue: Combate não pode relaxar no inverno

Tenho acompanhado a divulgação dos números de caso de Dengue e H1N1 pelas prefeituras da Baixada Santista e visto a comemoração devido ao baixo número de incidências das duas doenças no período.

Em março, tínhamos quase 14 mil pessoas contaminadas com dengue na Baixada. Em agosto esse número caiu para 1 caso. Não é motivo para diminuirmos a vigilância. Afinal, no inverno sempre caem os números, devido a dificuldade de reprodução o mosquito nesse período climático.

Por isso segue dicas para manter sua casa a salvo da dengue também durante o inverno:

1. Evitar água parada.

2. Sempre que possível, esvaziar e escovar as paredes internas de recipientes que acumulam água.

3. Manter totalmente fechadas cisternas, caixas d’água e reservatórios provisórios tais como tambores e barris.

4. Furar pneus e guardá-los em locais protegidos das chuvas.

5. Guardar latas e garrafas emborcadas para não reter água.

6. Limpar periodicamente, calhas de telhados, marquises e rebaixos de banheiros e cozinhas, não permitindo o acúmulo de água.

7. Jogar quinzenalmente desinfetante nos ralos externos das edificações e nos internos pouco utilizados.

8. Drenar terrenos onde ocorra formação de poças.

9. Não acumular latas, pneus e garrafas.

10. Encher com areia ou pó de pedra poços desativados ou depressões de terreno.

11. Manter fossas sépticas em perfeito estado de conservação e funcionamento.

12. Colocar peixes barrigudinhos em charcos, lagoa ou água que não possa ser drenada.

13. Não despejar lixo em valas, valetas, margens de córregos e riachos, mantendo-os desobstruídos.

14. Manter permanentemente secos, subsolos e garagens.


15. Não cultivar plantas aquáticas.

Obesidade: Mais exercícios!

O Ministério da Saúde acaba de divulgar um estudo que mostra claramente que é preciso investir, e muito, na prevenção da Saúde ao invés do tratamento da mesma. Afinal, 51% da população brasileira está acima do peso. Um aumento de 8% em sete anos, já que a última vez que este estudo analisando a obesidade do brasileiro foi feito em 2006.

A obesidade atinge mais fortemente os homens. 54% da população masculina do país esta acima do peso ideal. Entre as mulheres o sobrepeso é um pouco menor: 48%.

Em São Paulo, nosso Estado, os números são superiores ao do país. 56,1% dos homens e 48,6% das mulheres estão gordos.

Metade da população brasileira está obesa. Isso resulta em mais atendimentos de Saúde, mais problemas cardíacos, mais problemas de circulação, mais problemas de hipertensão, mais problemas de diabetes, mais e mais problemas. Desse jeito, terão que importar toda a população médica mundial para acompanhar a população brasileira a médio-longo prazo. Afinal, como nutrólogo e endocrinologista, posso afirmar que a tendência é virarmos o país dos gordos, diante da forte influência norte-americana sobre nossos hábitos alimentares.


Antes de pensar em Mais Médicos, é preciso o governo criar o Programa Mais Educadores Físicos, a fim de promover incentivo a atividade física plena entre toda a população. Com isso, teríamos menos doentes e um povo mais saudável. A prevenção é um caminho mais curto e mais barato para a saúde do Brasil.         

Obrigação de acertar com a Saúde da Baixada Santista

O infectologista David Uip (foto) é o novo secretário de Saúde do Estado de São Paulo. Médico renomado, referência em sua especialização, a nomeação dele encheu de expectativa a população e a comunidade médica.

Para a Baixada Santista, a chegada de Uip só pode significar a redenção que falta na saúde regional. Afinal, desde 2010, Uip coordena a Agência Regional de Saúde (ARS) criada para congregar as ações de Saúde nos nove municípios locais, já que a Direção Regional de Saúde (DRS-4) se mostrou ineficiente para gerir essa questão.

Uip coordenou reuniões mensais com prefeitos e secretários de Saúde da Baixada e tem plena consciência das demandas reprimidas que possuímos por aqui. Durante os três anos, de fato, só conseguiu transformar o Hospital Ana Parteira em uma unidade do Emílio Ribas, dentro da sua especialidade que é a infectologia. Não quero crer que o secretário agiu em causa própria, ou em causa de sua especialidade. Acredito que foi o que ele conseguiu fazer tendo que responder a uma estrutura ineficiente e incapaz.

Diante de tanto conhecimento de nossos problemas, Uip tem obrigação de acertar com a Baixada Santista nesses dois anos que lhe restam como gestor da Saúde estadual. Afinal, correspondemos a 4% da população e da economia de São Paulo, e apenas 1% do orçamento da Saúde do Estado vem para a Região.


Vamos aguardar e torcer para que a nomeação desse conceituado médico não tenha sido apenas para apagar a má impressão da péssima gestão do secretário Guido Cerri que pouco ou nada fez pela saúde paulista, quiçá a da Baixada Santista.

UPA em Santos, mais uma lenda urbana?

Tenho acompanhado com atenção o noticiário de Saúde local e tenho me deparado com cada absurdo que me desmotivam ainda mais em acreditar em avanços nessa área na Cidade. Um desses absurdos envolve as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), um programa do Ministério da Saúde do Governo Federal. As UPAs são um modelo interessante pois elas filtram a gravidade de cada paciente e dá o encaminhamento adequado para cada questão em um espaço preparado para isso, dotado de todos os recursos.

Tenho conhecimento que desde meados de 2011 há disponíveis no ministério R$ 4, 2 milhões para reformar e construir três dessas unidades aqui na Cidade. E, já se vão dois anos e nenhuma obra a gente vê sair do papel.
A transformação do Pronto Socorro da Zona Leste, que viu sua última reforma na gestão do ex-prefeito Beto Mansur, em uma UPA foi promessa do governo Papa, é do Governo Paulo Alexandre Barbosa, mas até agora só é promessa com risco de prevaricar, já que o dinheiro está disponível para isso há muito tempo no Governo Federal. O atendimento na UPA da Zona Leste permitirá o atendimento de 450 pacientes por dia.

Vi em um programa de TV o secretário Marcos Calvo dizendo que não começou a obra para não misturar detritos e poeira com pacientes. Ora, basta seguir o modelo que fez Mansur que transferiu o hospital de local durante a reforma daquela época. O que não pode é deixar a oportunidade passar e Santos ficar sem esses recursos enquanto os “técnicos” discutem como fazer a equação obra + paciente. Essa equação não existe!

A única coisa efetiva foi a aquisição por parte do Governo Municipal de um terreno na esquina da Rua Bulcão Vianna com a Avenida Jovino de Mello, no Bom Retiro, na Zona Noroeste. Este sim um novo prédio com capacidade para 300 atendimentos/dia (projeto ao lado). O que é muito pouco para as necessidades da Saúde regional.

A terceira será no Pronto Socorro Central, que passará a se chamar UPA Central de Santos. Segundo a Secretaria de Saúde, o prédio do Pronto Socorro Central está obsoleto e precisa ser modernizado. O que qualquer pessoa sem conhecimento de obras pode constatar.


Todas essas obras são prometidas pelo governo municipal no site do PSDB para início em 2013. Espero que seja verdade para que as UPAs de Santos não virem outra lenda urbana como a ponte ligando a Cidade ao Guarujá ou o túnel ligando Santos e São Vicente.

Finalmente ações efetivas na Saúde de Santos

Finalmente boas notícias para a Saúde em Santos. O Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU) acaba de ter sua frota sucateada de ambulâncias renovada em uma ação ousada do prefeito Paulo Alexandre Barbosa.

Inaugurado em 2011, o SAMU dispunha apenas de 9 unidades disponíveis fora das condições ideais de trabalho. Atento ao problema, Barbosa, ainda em seus primeiros meses de governo, aumentou em duas vezes o número de ambulâncias disponíveis e em condições. Hoje temos 18 veículos preparados para o atendimento de emergência, o principal e mais importante atendimento em caso de acidentes. Afinal, se o paciente for atendido rapidamente e com eficiência fica com menos sequelas e tem mais chances de recuperação plena.

De forma emergencial, Barbosa alugou cinco novas ambulâncias, comprou outras três e recebeu uma cedida pelo Ministério da Saúde, mostrando que na Saúde em Santos PSDB e PT falam a mesma língua. Aprendi com meu saudoso amigo David Capistrano, ex-prefeito de Santos e que trabalhou com José Serra (PSDB) no Ministério da Saúde que a saúde da população não tem cor partidária. Foi o saudoso Capistrano que me trouxe para Santos no início dos anos 90 para atuar na saúde do Município, após me conhecer em um encontro com o ministro da Saúde de então, Alceni Guerra.

Dessas 18 novas ambulâncias do SAMU, 14 estão à disposição do atendimento de emergências. As demais são utilizadas para remoções e realizações de exames dos pacientes entre as unidades de saúde da Baixada.


Quem acompanha meus posicionamentos sabe que tenho sempre uma postura mais crítica quanto ao que vem sendo feito ao longo do tempo com a Saúde da Baixada, em especial de Santos, que anos atrás foi referência mundial. Porém, o que é realizado com eficiência merece e sempre terá meu reconhecimento.

Diabetes e seus tipos

Nesta primeira quinzena de setembro, em obediência a Lei Municipal 3.945 de 05/08/1975, a Cidade de Santos, onde vivo há mais de 20 anos, realiza a Semana do Diabético. Como nutrólogo e médico endocrinologista, entendo como uma boa oportunidade para divulgar o que é diabete e quais os tipos dessa doença, já que a Prefeitura Municipal de Santos e a Secretaria Municipal de Saúde parecem que não irão promover nada na data, pois ainda não divulgaram.

Quando se criam essas leis de datas e semanas é para o Poder Público aproveitar espaço na mídia e fazer ações de prevenções, mas parece que agir na prevenção de doenças não tem sido prioridade na gestão de Marcos Calvo na Secretaria Municipal de Saúde. Estão descumprindo a lei nº 3.945 de 5/8/1975, que obriga a realização desta semana. Senhores vereadores, é seu dever exigir uma explicação à Secretaria de Saúde Municipal que está desrespeitando uma lei.

Então vamos explicar o que é diabetes:

Quando comemos, os alimentos sofrem digestão no intestino e se transformam em açúcar, chamada glicose que é absorvida para o sangue. A glicose é absorvida pelos tecidos e transformada em energia. A utilização da glicose depende da presença de insulina, uma substância produzida pelo pâncreas. Quando a glicose não é bem utilizada pelo organismo, eka se eleva no sangue e causa a diabetes ou Hiperglicemia.

Existem 3 tipos de diabetes: Tipo 1, Tipo 2 e gestacional. A diabetes Tipo 1 também pode ser conhecida como diabetes insulinodependente, diabetes infanto-juvenil e diabetes imunomediado. Neste tipo de diabetes, a produção de insulina do pâncreas é insuficiente pois sias células sofrem o que chamamos de destruição de autoimune.  Os portadores de diabetes tipo 1 necessitam injeções diárias de insulina para manterem a glicose no sangue em valores normais. Há risco de vida se as doses de insulina não são dadas diariamente. O diabetes tipo 1 embora ocorra em qualquer idade é mais comum em crianças, adolescentes ou adultos jovens.

Já a diabetes Tipo 2 também conhecida por diabetes insulinodependente ou diabetes do adulto corresponde a 90% dos casos dessa doença. Ocorre geralmente em pessoas obesas com mais de 40 anos de idade embora na atualidade se vê com maior frequência em jovens , em virtude de maus hábitos alimentares, sedentarismo e stress da vida urbana.

Nela encontra-se a presença de insulina, porém sua ação é dificultada pela obesidade, o que é conhecido como resistência insulínica, uma das causas de Hiperglicemia. Permanece por muitos anos sem diagnóstico e sem tratamento o que favorece a ocorrência de suas complicações no coração e no cérebro.

A Diabetes Gestacional é ocasionada pela presença de glicose elevada no sangue durante a gravidez. Geralmente, isso se normaliza após o parto. No entanto as mulheres que apresentam ou apresentaram diabetes gestacional, possuem maior risco de desenvolverem diabetes tipo 2 tardiamente, o mesmo ocorrendo com os filhos. Por isso fique atento. Com Diabetes não se brinca.

Responsabilidade com a Saúde

Caros amigos, o Diretor Regional de Saúde da Secretaria de Estado, Marcos Botteon Neto, respondeu no Jornal A Tribuna meu artigo "A Saúde da Baixada pede Socorro". Leiam abaixo: 


Não poderia deixar de responder. Segue abaixo minha resposta

Responsabilidade com a Saúde

Marcio Aurelio Soares *

Como profissional de Saúde sempre tratei o tema com toda responsabilidade que ele merece. Afinal, quando falamos de Saúde estamos nos referindo à vida das pessoas, talvez o bem mais precioso que um ser humano pode ter.

Li com a atenção merecida o artigo do médico Marcos Botteon Neto, diretor do Departamento Regional de Saúde de Santos, publicado no Jornal A Tribuna do dia 19 de agosto, onde ele enumera vários investimentos que o Governo do Estado está fazendo na Saúde da Baixada Santista e diz que os mesmos não estão contemplados nos dados que divulguei no artigo que escrevi e intitulei como “A Saúde da Baixada pede Socorro”, publicado no Jornal A Tribuna dia 08 de agosto.

Achei muito grave as inoportunas colocações de Botteon. Afinal, os dados que apresentei foram retirados do Sistema de Informação de Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS), que fica disponível no site do Ministério da Saúde. Infelizmente, esse sistema é falho, pois não separa os investimentos do Estado por Cidades ou Regiões permitindo criar com precisão um parâmetro de comparação dos investimentos por localidade.

Porém, analisando o Balanço do Estado de São Paulo, é possível ver que a crítica ao baixo investimento do governo na Saúde na Baixada era procedente e verídica. Afinal, em 2012, o Estado investiu R$15.064.014.905,00 na Saúde de todos os seus municípios. Desse total, apenas 1,11% foram investidos na Baixada Santista totalizando R$ 167.854.737.

A Baixada representa cerca de 4% da população e da economia de São Paulo. Portanto merecia investimentos estaduais condizentes com esta importância. Como disse em meu artigo anterior, volto a repetir agora, com a divulgação dos dados que Botteon afirmou que desconsiderei: a Saúde da Baixada pede Socorro. E não é atendida pelo Estado.

Como vemos com os números expostos acima, não errei na crítica ao pífio investimento que o Governo do Estado faz na Saúde da nossa Região. E ainda temos que ressaltar que do total investido na Saúde pelo Governo do Estado, cerca de 30% são verbas repassadas pelo SUS, ou seja, pelo Governo Federal, o que mostra que o total de investimentos do tesouro paulista é de fato menor ainda, o que deve impressionar mais ainda meu colega.

É óbvio que o Estado mantém equipamentos como o Hospital Guilherme Álvaro e o Ambulatório Médico de Especialidades da Aparecida, só para ficar no que existe em Santos, e conta com bons profissionais em seus quadros.  Porém, reafirmo que são valores irrisórios dentro do montante investido na Saúde da Baixada perante a representação da região no estado mais importante da União.

Chega a ser inacreditáveis as afirmações de Botteon quanto aos investimentos futuros do Estado na Baixada. Achei estranho ele não citar a Rede Lucy Montoro de Reabilitação, afinal o prédio já está pronto e fica no quintal da Direção Regional de Saúde, local de seu trabalho. Essa unidade é uma promessa que remota ao ano de 2009 e até agora ainda não está funcionando. Não creio que a ampliação do Guilherme Álvaro e a Rede Hebe Camargo terão um fim diferente.

A frieza dos números mostra como o Governo do Estado de São Paulo trata a Saúde dos moradores da Baixada, que precisa de menos discurso e mais dirigentes comprometidos com os reais interesses de nossa população. Não a toa que em 2010, o então secretário de Saúde do Estado, Guido Cerri, nomeou David Uip, o atual secretário, para coordenar a propalada Agência Regional de Saúde da Baixada Santista, que sequer foi constituída juridicamente, para desempenhar o papel que o Departamento Regional de Saúde (DRS-4) deveria cumprir e nunca o fez. Saúde é coisa séria demais e os números referentes ao seu financiamento devem ser publicados com muita clareza para que o povo, pagador de impostos, saiba para onde vai o seu dinheiro.

* Marcio Aurelio Soares é médico especialista em Saúde Pública pela Fiocruz.

Lucy Montoro na Baixada. Sonho ou realidade?

Anunciada desde julho de 2009 para ser entregue inicialmente no final do mesmo ano, a unidade de Santos da Rede de Reabilitação Lucy Montoro (orgão do Governo do Estado ligado as Secretarias de Saúde e dos Direitos da Pessoa com Deficiência que visa propiciar melhora na qualidade de vida, ampliar a participação na sociedade e capacitar as pessoas com deficiência para os exercícios de seus direitos) está longe de sair do papel. 

Após quatro anos de seu anúncio inicial, a unidade ainda não está funcionando e retrata a forma com que o governo do Estado trata a Saúde e os moradores da Baixada Santista.

Esse equipamento era para ser construído na área do Hospital Guilherme Álvaro, com capacidade para atender 400 pessoas por dia. O investimento era de R$ 8 milhões para as obras e mais R$ 2,5 milhões em equipamentos. Terminou 2009 e a unidade não foi inaugurada e foi replanejada para a área do Ambulatório Médico de Especialidades na Aparecida em 2010. E até agora nada. O que temos é uma edificação inacabada.

Prédio onde funcionará o
Lucy Montoro em Santos.
Foto- Vanessa Lemes
Fui alertado para essa questão no Facebook, ao ver um post da cantora e jornalista Vanessa Lemes (http://www.facebook.com/VanessaLemesJornalista), mãe de um portador de necessidades especiais, inconformada com essa situação. Vanessa coloca bem ao constatar com fotos que a edificação semi-acabada deverá já necessitar de restauros e no mínimo uma nova pintura para a inauguração ainda não marcada e maquiar esse absurdo com o dinheiro público.

A Rede Lucy Montoro é referência nesse tipo de atendimento. Porém, São Paulo possui 645 municípios e somente sete possuem unidades desta rede. Uma vergonha! Não atinge a toda a população que necessita destes serviços. E já foi o Governo Serra, está acabando o Governo Alckmin e nada de Lucy Montoro funcionando na Baixada. A mãe Vanessa Lemes lançou um desafio aos governantes que gostaria de ver cumprido: “Deixem seus parentes com deficiência ou doenças graves à mercê de programas públicos de saúde. Só assim vocês saberão a dor da espera a qual vocês nos submetem”.

Senhores governantes, quem encara essa?


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A Saúde da Baixada pede socorro

A Baixada Santista está estupefata ao descobrir que os nove municípios respondem por 67,4% dos gastos em Saúde por aqui. A União arca com 27,8% e o Estado de São Paulo com apenas 3,2%. É uma realidade nua e crua que precisa ser interpretada por quem faz a saúde pública regional. O problema vai muito além de quem paga a conta.

Entre as nove Cidades da Região, Santos é o município que, proporcionalmente, menos investe em saúde pública, apesar de ter o maior orçamento. Analisando o Sistema de Informações de Orçamentos Públicos de Saúde, que o Ministério da Saúde disponibiliza na internet, vemos que Santos investiu pouco mais que R$ 323,176 milhões em Saúde em 2012. Deste montante, pouco mais que R$ 210,5 milhões foram investimentos municipais, o restante de outras esferas.

A Lei de Responsabilidade Fiscal determina que os prefeitos invistam no mínimo 15% do que arrecadam com impostos na área da Saúde. Santos investiu em 2012 um total de 18,57 % destes recursos e cumpriu a lei. O curioso é observar que exatos 15% destes recursos vão apenas para arcar com a folha de pagamento dos funcionários envolvidos com a Saúde, o que significa mais de R$ 188,9 milhões por ano. Com isso restam apenas 3,57% do dinheiro da Saúde para infraestrutura do setor. É possível fazer Saúde sem remédios, hospitais, exames de imagem, entre outros serviços?

Isto é o mesmo que dizer que a prefeitura gasta, somente, R$ 6,25 por mês por cada habitante. Uma quantia ínfima diante da dimensão das necessidades do setor. Estes dados, mais uma vez, provam que o grande problema não é de mão de obra, seja ela médica ou não. O problema é o financiamento e sua gestão. Abordando a saúde pública sob este ponto de vista, tocamos na ferida e mostramos a população o quanto seu dinheiro é mal administrado.

Com números, os discursos evasivos caem por terra e mostram-se meras alternativas politiqueiras. Então, para deixar mais claro: Oferecer um serviço de saúde pública de excelência seria muito difícil, de imediato, mas é possível fazer melhor. Gastamos a grande parte dos recursos com funcionários e estes afirmam que são mal remunerados. Gastamos uma quantidade mínima de recursos com custeio e financiamento, impossível de manter serviços com um mínimo de razoabilidade. E o pior de tudo, esse debate não esteve presente na Conferência Municipal de Saúde deste ano.

Vale lembrar que Santos é, proporcionalmente, a cidade que mais recebe recursos da União. Do total do orçamento da pasta, 34,42% são repasses federais e, pásmen, apenas, 1,12% são repasses do Governo Geraldo Alckmin, cujo partido é o mesmo do prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB). Isso mostra que o Governo Federal não faz política com a Saúde e muito menos o Governo do Estado. Afinal, Cubatão, a única cidade da Baixada administrada pelo PT é uma das que menos recebem recursos federais. Na cidade do polo-industrial, a União responde por apenas 16,48% do que é investido na saúde local.


Quando o dinheiro não é suficiente e, ainda, é mal administrado, nós sabemos o que acontece. 

Hipertensão e diabete na Terceira Idade

Hipertensão e diabetes são doenças muito perigosas que podem levar uma pessoa a morte. Ainda mais na terceira idade. Porém, não adianta apenas o atendimento médico de qualidade, que é importante pois são doenças que necessitam de acompanhamento constante. É necessário também manter uma rotina de exercícios físicos e medição constante da pressão e diabetes. 
Eu sei que é caro ir à academia e os aparelhos medidores, ainda mais para pessoas cujos rendimentos são os recursos mínimos da aposentadoria. Por isso segue uma boa dica de como conseguir tudo isso de graça e com bom acompanhamento.

O Campus Baixada Santista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) está recrutando idosos, entre 60 e 79 anos, que tenham hipertensão e diabetes, para realizarem gratuitamente exames de sangue e exercícios de caminhada e musculação. Esses exercícios, além dos medicamentos já prescritos pelo médico, são oferecidos como tratamento para que os idosos melhorarem o controle da Hipertensão e Diabetes, proporcionando assim uma melhor qualidade de vida. Para os participantes interessados, será oferecido um programa de exercícios em academia por três meses.

O projeto é desenvolvido pelo Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Saúde da Unifesp Baixada Santista, com objetivo de prevenir doenças cardíacas decorrentes da Hipertensão e Diabetes em Idosos. Não poderão participar idosos com diabetes que façam o uso de insulina injetável, tabagistas, com doenças cardíacas graves e que já realizem exercícios. Para participar do projeto, basta agendar uma avaliação pelo telefone (13) 9129-7879, falar com Vania, do Laboratório de Exercícios Terapêuticos.

Pronto agora nenhum idoso tem desculpa para não procurar uma melhor qualidade de vida não é mesmo?

BTP e o IBAMA, porque esconder tanto?

Sou médico e nada entendo de porto. Porém me causou espantou ao ler o Jornal A Tribuna deste sábado (20) um anúncio minúsculo, dentro do noticiário regional, que afirmava que o Brasil Terminal Portuário (BTP), que pelo que sei está próximo de começar suas operações na Alemoa, já recebeu do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) a licença de operação de seu terminal portuário de uso múltiplo por seis anos. Vai poder mexer com granéis líquidos e carga geral conteinerizada ou não.




Ora, ninguém é contra o progresso portuário e o aumento de nosso porto. Mas afinal, se o BTP nada tem a esconder, nem o IBAMA, porque esse anúncio que visa tornar público a licença saiu tão pequeno com fontes minúsculas? Porque não recebeu forte noticiário pela mídia local?

Nossa Cidade tem o Meio Ambiente muito comprometido devido ao funcionamento do porto. Não que o porto não seja importante. Afinal é a mola propulsora da economia da Baixada Santista. Mas porque essas notícias são mal acompanhadas e mal divulgadas?

Esta na hora de mexer nessa caixa-preta, não acham?

Jovens e o álcool: É hora de mudar as leis

Fico contente ao ler que a nossa Cidade de Santos está criando uma Força-Tarefa para coibir o consumo de álcool entre os jovens menores de idade do Município. Essa força-tarefa vai abranger a Prefeitura, os órgãos de segurança e os conselhos municipais.

Claro que aumentar a fiscalização em eventos particulares e em áreas públicas atrás desses jovens é importante, afinal é conhecido por todos os santistas os locais onde esses jovens se concentram. Principalmente nos postos de combustível que contam com cafés e lojinhas 24 horas.

Mas só isso não adianta. É preciso mudar as leis que regem o consumo de álcool por menores de idade. Afinal não há nenhuma sanção que iniba quem abastece esse público ilegal.

Quem vende bebida a um menor, comete uma contravenção penal leve, que pode resultar apenas em uma multa que pode ser convertida em prestação de serviços à comunidade. Raramente implica em prisão.

É preciso modificar essa legislação se quisermos ter uma geração menos viciada no futuro. É hora de cobrarmos nossos deputados e senadores para produzirem legislação pelo bem da Saúde da população e não para atender lobistas da Ambev e de outros produtores de cerveja.